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Pilates e a coluna vertebral

Coluna vertebralLombalgia, ou simplesmente dor nas costas.

É a doença crônica que mais afeta os brasileiros. Esses quadros podem ter origem de diversas situações, como esforços repetitivos, excesso de peso corporal, pequenos traumas, condicionamento físico inadequado, erro postural e posição não ergonômica na casa e no trabalho. O tratamento dessas dores é multidirecional: focando inicialmente no alívio da dor e posteriormente no reforço muscular para manutenção e prevenção de problemas. Dentro de um programa de tratamento (atividade física)  está a retirada da causa direta da dor, a prática de exercícios para melhorar a força e o controle muscular, a reeducação postural e principalmente a ativação e fortalecimento dos músculos responsáveis pela estabilização da coluna vertebral. Esses músculos se encontram no grupo muscular denominado “core”.

– Músculos 

Os músculos que o formam sustentam a coluna, os órgãos internos e a postura, formando um cilindro de estabilidade ao redor da cintura. Entre os músculos estão: o Transverso do Abdome, os Multífidos (situados ao longo da coluna ao lado das vértebras), o Diafragma e os músculos do Assoalho Pélvico, em particular o Períneo.O controle destes músculos profundos não só proporciona uma cintura e um abdome mais definidos como diminui a incidência de dores lombares e lesões, melhora consideravelmente o funcionamento dos órgãos internos, melhora o equilibro, a postura e a estabilização corporal durante as atividades diárias e durante a prática de exercícios físicos – no geral, melhora a qualidade de vida.

– Fortalecendo a coluna

As primeiras aulas do pilates devem ser voltadas para o aprendizado da contração correta destes músculos. Este treino pode ser realizado seguindo as etapas do modelo de exercícios de estabilização segmentar vertebral, desenvolvido por Richardson, Hodges e Hides. Este modelo é dividido em três estágios. No primeiro, chamado de Cognitivo, o paciente é educado quanto a anatomia, função , importância e forma de contração correta destas musculaturas.O treino geralmente é iniciado na posição deitada, mas deverá progredir para as posições sentada, em pé e em quatro apoios. O fisioterapeuta ensina ao paciente a localização dos músculos, a realizar a palpação deles colocando os dedos indicador e médio na região do abdômen, e a contraí-los levando sutilmente o umbigo para dentro até sentir uma leve tensão sobre os dedos. No segundo estágio, chamado de associativo, o objetivo é manter a contração destes músculos ao mesmo tempo em que são realizados movimentos dos membros com o tronco apoiado, ou seja, a musculatura global passa a ser solicitada associada a local. Nesta fase inicia-se o treino de atividades do dia a dia, como sentar e levantar corretamente, mantendo uma boa postura. O terceiro momento, estágio automático, tem como objetivo permitir a realização de exercícios que proporcionem desafios e gestos esportivos, sendo realizados com cuidado para assegurar que não haja compensação. Nestes últimos estágios, também é realizado o trabalho de fortalecimento dos músculos estabilizadores da pélvis (gluteos). Pois o alinhamento desta região influencia na distribuição de cargas na coluna lombar. Além disso, é feita a reeducação de atividades da vida diária do indivíduo, desde movimentos simples, como sentar e levantar. É fundamental que a escolha dos exercícios seja criteriosa para cada paciente. Para isso, o profissional que vai receber o paciente com dor no estúdio de pilates deve ter conhecimento para determinar quais exercícios são mais indicados a partir de uma avaliação, evitando o risco de novas lesões ou a piora do quadro de dor.