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Tudo o que você precisa saber sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é na verdade um grupo de doenças progressivas que acometem o pulmão. As manifestações mais comuns da DPOC são o enfisema e a bronquite crônica, sendo que grande parte das pessoas com DPOC possui ambas as manifestações.

O enfisema pulmonar é uma condição que consiste na destruição dos alvéolos pulmonares, o que gera o aprisionamento de ar nos pulmões e dificulta a saída de ar.

Já a bronquite é uma inflamação dos brônquios, com consequente redução do seu lúmen, gerando um acúmulo de secreção nas vias aéreas, e também dificultando a saída de ar dos pulmões.

A DPOC, em longo prazo, torna o ato de respirar mais difícil. Os sintomas podem começar de forma leve nos estágios iniciais da doença, e podem se apresentar como uma tosse leve ou uma ligeira falta de ar durante algumas atividades.

No entanto, com a progressão da doença, o indivíduo acometido sente cada vez mais dificuldade para respirar, com intensificação dos sintomas mesmo em repouso, e evoluindo para sintomas como chiado e sensação de aperto no peito.

É comum que pessoas com DPOC passem por períodos de exacerbações, que são momentos em que os sintomas ficam mais intensos.

A causa principal da DPOC é o fumo, mas outros fatores, como exposição à agentes químicos e tóxicos por longos períodos também pode desencadear a doença.

É uma doença crônica, de desenvolvimento lento, e leva anos para chegar às formas de manifestação mais graves. Seu diagnóstico geralmente envolve exames de imagem do pulmão, exames de sangue e exames de avaliação da capacidade pulmonar.

Não existe cura conhecida para a DPOC, mas existe, sim, tratamento. O tratamento da DPOC visa a redução dos sintomas e a das exacerbações da doença, e ficam na melhoria da qualidade de vida.

Dentre os tratamentos para a DPOC estão o uso de medicamentos, fisioterapia, o uso de oxigênio, e até mesmo algumas cirurgias.

Se não tratada, a DPOC pode gerar consequências graves, como infecções pulmonares, problemas cardíacos, além de uma redução drástica na qualidade de vida.

Vamos falar um pouco mais sobre a DPOC nesse texto, bem como sobre suas causas, a forma de identificá-la, e seus tratamentos. Leia até o final para descobrir tudo o que você precisa saber sobre a DPOC!

Causas da DPOC

Nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a maior causa isolada da DPOC é o fumo. Cerca de 90% das pessoas com DPOC são ou fumantes, ou ex-fumantes.

Algo entre 20 a 30% da população fumante irá desenvolver DPOC em algum momento da vida. Muitos dos que não desenvolvem DPOC acabam por possuir alguma doença pulmonar ou ter uma capacidade pulmonar reduzida em algum aspecto.

O Brasil, atualmente, segue a mesma tendência dos países desenvolvidos em relação à causa base da DPOC, sendo também identificada como o uso prolongado de cigarro.

A maioria dos indivíduos com DPOC possuem 40 anos ou mais, e como mencionado, tabagistas ativos ou ex-tabagistas. O risco de aparecimento da DPOC é diretamente proporcional à quantidade de cigarros fumada durante a vida.

Não apenas o uso de cigarro pode causar DPOC, mas o charuto, o cachimbo, ou mesmo o fumo passivo e a exposição pesada ao fogão à lenha, podem também levar ao surgimento da doença.

O risco de desenvolvimento da DPOC aumenta significativamente com a associação entre o fumo e a asma.

Outras causas, menos comuns mas ainda significativas, de DPOC são a exposição prolongada a poluentes químicos e fumaça, tanto em casa quanto no ambiente de trabalho. A poeira e a poluição ambiental também vêm sendo identificadas como causas de DPOC.

Estudos recentes vêm indicando uma possível predisposição genética para o aparecimento da DPOC. Isso porque descobriu-se que aproximadamente 5% das pessoas com DPOC possuem uma deficiência na proteína chamada alfa-1-antitripsina.

Essa deficiência leva à deterioração dos pulmões, e também pode afetar em algum grau o fígado. Outros fatores genéticos podem estar envolvidos com o surgimento da doença também, mas ainda não foram identificados.

Para resumir de forma esquemática, as principais causas da DPOC são:

  • Tabagismo: como dissemos, essa é a principal causa da doença, seja em tabagistas ativos, seja em ex-tabagistas, chegando a ser a causa de até 90% dos casos de DPOC, em países como os Estados Unidos.
  • Exposição ocupacional: a exposição intensa e prolongada a poluentes e agentes químicos em alguns tipos de indústrias, como minas de carvão, de ouro, e na indústria têxtil, podem levar à obstrução das vias aéreas e a doenças como a DPOC, mesmo em pessoas que não fumam ou não tem contato com cigarro. A associação do fumo com a exposição a essas substâncias, no entanto aumenta exponencialmente o risco para o desenvolvimento da DPOC. A exposição ao pó de uma substância chamada sílica leva à uma condição um pouco diferente da DPOC, chamada de silicose. No entanto, a exposição leve à sílica pode gerar um tipo de condição semelhante à DPOC, em seus estágios iniciais. De forma geral, a exposição ocupacional isolada é menos prejudicial e menos ligada ao desenvolvimento da DPOC do que o tabagismo.
  • Poluição do ar: diversos estudos feitos em diferentes locais do mundo vêm chegando à mesma conclusão, que é a de que indivíduos de grandes centros urbanos são mais acometidos pela DPOC do que indivíduos que vivem em zonas rurais. Atribui-se esses achados à maior exposição à poluição do ar encontrada nesses grandes centros, apesar de maiores estudos serem necessários para corroborar esses achados. Em zonas rurais ou menos desenvolvidas, a DPOC possui forte relação com a exposição ao fogão à lenha ou sistemas de aquecimento interno com o uso de biocombustíveis como a madeira ou o esterco.
  • Fatores genéticos: adicionalmente à exposição à fumaça, poluentes ou agentes químicos, certa predisposição genética foi relacionada ao desenvolvimento da DPOC. A DPOC é mais comumente encontrada com associação familiar, e a hipótese aceite é a de que algumas deficiências proteicas, como explicado no texto acima, podem estar relacionadas ao seu surgimento. No entanto, como esses fatores genéticos se manifestam ainda é amplamente desconhecido pelos cientistas.
  • Doenças autoimunes: evidências crescentes vêm apontando na direção da existência de um componente autoimune para o desenvolvimento da DPOC. Isso porque, mesmo depois que o indivíduo com DPOC para de fumar, existe um processo inflamatório ativo nos pulmões, responsável pela progressão da doença, e que pode inclusive piorar e se agravar ao longo dos anos. Esse processo inflamatório sustentado pode ter relação com o sistema imunológico, sendo mediado por auto anticorpos e células T auto reativas. No entanto, essa hipótese precisam ser ainda testadas em estudos de grande porte.

Apesar de sua importante influência ambiental, a DPOC não é uma doença contagiosa, sem do impossível a transmissão de um indivíduo para o outro.

Vamos, na próxima sessão, entender um pouco mais sobre como a DPOC aparece, e quais são os problemas causados no pulmão que caracterizam essa condição.

                A fisiopatologia por trás da DPOC

O mecanismo de lesão e o processo patológico por trás do surgimento da DPOC não é completamente entendido pelos pesquisadores, assim como não se saber ao certo como a fumaça do cigarro e de outras substâncias causam os danos encontrados na DPOC no pulmões dos pacientes.

No entanto, os processos que causam os danos pulmonares responsáveis pelos sintomas da doença são identificados e conhecidos, e serão resumidos a seguir.

A fumaça do cigarro, bem como de outras substâncias químicas e poluentes, é rica em radicais livres, o que gera um estresse oxidativo aumentado nos pulmões.

Esse estresse oxidativo gera uma resposta inflamatória exacerbada, com a liberação de citocinas inflamatórias.

Além disso, a ação de enzimas antiprotease, como a alfa-1-antitripsina, é dificultada pela presença da fumaça e dos radicais livres nas vias aéreas. Dessa forma, as enzimas proteases passam a ter uma ação mais intensa do que o normal, gerando danos aos tecidos pulmonares.

O conjunto desses fatores acaba gerando lesões do tecido pulmonar, que perde algumas das suas propriedades e acaba por desenvolver algumas características e sintomas que serão descritos com mais detalhes na sessão seguinte.

Apresentação clínica da DPOC

Os fatores causais já explicados nas sessões anteriores acabam com gerar uma condição complexa, resultado da interação de uma bronquite crônica, enfisema pulmonar, e asma, o que caracteriza a DPOC.

Vamos explicar cada um dos componentes da DPOC separadamente, para que o processo de desenvolvimento da doença seja melhor entendido pelo leitor.

  • Asma:

A asma é uma doença pulmonar crônica muito comum. É conhecida ainda como doença reativa das vias aéreas. Na maioria das vezes, a asma é uma doença de fácil controle, que causa desconforto para o paciente, mas possui tratamento simples.

A asma é causada, basicamente, por uma inflamação com consequente constrição (redução de tamanho) da parede dos brônquios, o que leva ao que chamados de crises asmáticas, caracterizadas pela falta de ar, pelo chiado e pela tosse. Essa inflamação e bronco constrição é causada pela hiper-reatividade dos brônquios em resposta à estímulos, ou mesmo na ausência de estímulos nocivos.

Diversos fatores estão relacionados com a asma, como o fumo, o exercício físico, mudanças bruscas de temperatura, ou mesmo situação de estresse emocional aumentado. É muito comum na infância, e geralmente é desencadeada por uma infecção viral.

O diagnóstico da asma é feito através dos seus sintomas, e, principalmente, pela resposta desses sintomas à administração de bronco dilatadores inalatórios. Como forma de complementação diagnóstica, exames de imagem e de sangue podem ser realizados.

  • Bronquite crônica:

A bronquite crônica surge como resultado da lesão pulmonar e do processo inflamatório crônico das vias aéreas. Clinicamente, ela é caracterizada pelos seus sintomas, que são tosse com produção de muco.

Pra que ela seja considerada crônica, a bronquite tem que ser manifestada por pelo menos três meses no ano, por dois nãos consecutivos.

Nas vias aéreas, temos com achado da bronquite crônica um aumento em número e em tamanho das células caliciformes e das glândulas mucosas, gerando uma produção aumentada de secreção nas vias aéreas, o que contribui para a redução do seu calibre, e ainda causa a tosse com produção de acentuada de muco.

Ao microscópio, o pulmão na bronquite crônica apresenta infiltração de células inflamatórias nas paredes das vias aéreas. Essa inflamação crônica acaba por levar à formação de cicatrizes e de um remodelamento tecidual que é responsável ainda pelo espessamente das paredes dos brônquios. Esses espessamento reduz ainda mais a luz das vias aéreas, gerando uma obstrução à saída do ar.

Na medida em que a bronquite crônica progride, esse remodelamento se torna mais intenso, com acentuada fibrose tecidual, com limitações severas ao fluxo de ar.

  • Enfisema

As lesões pulmonares e a inflamação dos alvéolos causadas pelos agentes desencadeantes da doença, como explicado anteriormente, resultam em uma condição conhecida como enfisema pulmonar.

O enfisema é, na verdade, o surgimento de bolsas de ar na porção distal dos bronquíolos terminais, devido à destruição de suas paredes.

Essa destruição da parede dos bronquíolos terminais reduz a superfície disponível para as trocas gasosas, piorando a relação ventilação/perfusão. Além disso, a elasticidade do pulmão também se reduz, deixando o tecido pulmonar com estabilidade reduzida e mais propenso a colapsar, reduzindo ainda mais o fluxo de ar.

Essa limitação ao fluxo de ar é ainda mais intensa quanto a indivíduo está exalando o ar, pois as paredes dos brônquios já tendem a se retrair, e sem a sua capacidade elástica, se fecham mais facilmente.

A combinação dessas manifestações clínicas é que vai gerar os principais sintomas da DPOC, que serão explicados com mais detalhes na próxima sessão.

Quais são os principais sintomas da DPOC?

Os sintomas da DPOC surgem como resultado de suas manifestações clínicas explicadas acima.  O paciente com DPOC pode ter um perfil predominantemente asmático, bronquítico, enfisematoso, ou uma mistura desses componentes em maior ou menor grau.

Os sintomas geralmente se iniciam de forma leve, e podem ser confundidos com outras doenças, ou mesmo com resfriados leves.

Os sintomas iniciais da DPOC incluem a falta de ar ocasional, principalmente após uma atividade física mais extenuante, tosse recorrente, e pigarros frequentes, principalmente pela manhã.

É comum que o paciente com DPOC começa a evitar algumas atividades que exijam um esforço maior, mesmo que de forma involuntária, como subir e descer escadas.

Na medida em que a doença progride e a lesão pulmonar se torna mais grave, no entanto, os sintomas vão se tornando cada vez mais intensos e limitantes, e mais difíceis de passarem despercebidos.

Dentre eles, estão: a falta de ar para atividades leves do dia a dia, chiado para respirar, mais evidente após um esforço físico, sensação de aperto no peto, tosse crônica, que pode ser com ou ser expectoração, necessidade constante de limpar a garganta, infecções respiratórias frequentes, mesmo que sejam apenas resfriados ou gripes leves, e uma falta de energia geral para a realização de qualquer tarefa.

Em manifestações mais graves da doença, o indivíduo pode chegar a vivenciar um cansaço mais extenuante, o que chamamos de fadiga, inchaço nas pernas, e perda de peso espontânea acentuada.

Alguns sintomas, no entanto, são indicativos de uma crise mais grave, o que PE conhecido como exacerbação da DPOC, que é a agudização da doença crônica. Esses sintomas indicam a necessidade de se procurar um médico imediatamente, para instalação de um tratamento mais rápido e rigoroso.

Dentre os sintomas de alarma para exacerbações da DPOC, estão:

  • Unhas ou pontas dos dedos azuladas ou roxas, que indicam redução do nível de oxigênio no sangue para as extremidades do corpo;
  • Dificuldade anormal de puxar o ar ou limitações na fala devido à falta de ar;
  • Qualquer indicação de confusão mental, tonteira, ou desmaio, que indicam redução de oxigenação cerebral;
  • Dor no peito ou palpitação, que indicam aumento do trabalho cardíaco para compensar a falta de ar.

É comum que a exposição ao cigarro desencadeia crises de exacerbação da DPOC, bem como à exposição à fumaça ou outros agendes desencadeadores.

Estágios de evolução da DPOC

A DPOC é dividida em cinco estágios, que medem a sua gravidade e a sua progressão. São eles:

  • Estágio 0: o paciente está em risco de desenvolver a doença. Ele possui como sintoma apenas tosse e um aumento na expectoração. Nesse estágio, não é necessário nenhum tratamento específico, porém o paciente deve ser alertado dos riscos e orientado para realizar mudanças no estilo de vida, como parar de fumar e se exercitar. Uma vez que a DPOC se instala, é um processo sem volta.
  • Estágio 1: essa é a fase leve da doença. O paciente pode ainda não perceber muitos sintomas, que incluem tosse e um aumento ainda maior na produção de muco. Quando identificada nesse estágio, a DPOC é tratada com bronco dilatadores orais e orientações para mudanças de hábitos e estilo de vida.
  • Estágio 2: já na fase moderada da doença, os sintomas começam a ser percebidos pelo paciente de forma mais significativa, e a falta de ar começa a surgir, em adição aos sintomas anteriores. O tratamento continua semelhante, com uso de bronco dilatadores de ação longa.
  • Estágio 3: essa é a fase grave da doença. Os sintomas são mais frequentes, e as exacerbações estão presentes, com crises de sintomatologia mais intensa. Nesse estágio, a doença começa a afetar as atividades de vida diária do indivíduo, e tratamentos com corticoides associados aos bronco dilatadores, ou mesmo com oxigenoterapia suplementar, podem ser indicados.
  • Estágio 4: a doença já está muito grave nesse ponto, com sintomas progredindo rapidamente, e fica difícil realizar até as tarefas mais simples do dia a dia. As exacerbações começam a ser muito perigosas, e podem ser fatais. Nesse estágio o paciente pode ser indicado para algum tratamento cirúrgico.

Na medida em que a doença progride e avança de estágio, o paciente se torna mais susceptível a uma série de doenças, como infecções respiratórias, que vão desde resfriados comuns até pneumonias, e complicações como problemas cardíacos, hipertensão pulmonar, e câncer de pulmão são mais prováveis.

Como é feito o diagnostico da DPOC

Não existe um exame único que é capaz de fazer sozinho o diagnóstico da DPOC. Na verdade, o diagnóstico é feito a partir de uma combinação de fatores como os sintomas apresentados pelo paciente o exame físico feito pelo médico especialista, e o resultados que alguns exames complementares úteis para a investigação da doença.

O primeiro passo para o diagnóstico é a consulta com um médico especialista. Na consulta, a primeira parte sempre consiste em uma conversa, na qual o médico irá realizar uma série de perguntas para entender melhor a condição de saúde, o histórico de saúde, e os sintomas apresentados pelo paciente.

Para que o médico consiga compreender cada caso, é fundamental que o paciente diga, entre outras informações, se ele é, ou já foi, fumante, se convive com alguém que fuma, se trabalha com alguma atividade que expões o pulmão à algum tipo de substância prejudicial, se alguém na família possui diagnóstico de DPOC ou outra doença pulmonar, se já possui alguma doença pulmonar diagnosticada, como a asma, se toma algum remédio controlado, se possui fogão à lenha em casa, dentre outras.

Informações gerais sobre o paciente também são importantes, por isso deve-se sempre responder com sinceridade as perguntas do médico, de forma a ajudar na caracterização do quadro clínico e na resolução dos problemas.

Após a fase inicial da consulta, chamada de anamnese, o médico irá realizar o exame físico. O médico poderá investigar diversos sistemas do corpo, para excluir outras condições que estejam contribuindo para o quadro. Mas o exame do pulmão é essencial, e consiste na ausculta dos sons pulmonares enquanto o paciente respira, com o uso de um estetoscópio.

Juntando as informações adquiridas durante a consulta, o médico então poderá solicitar alguns exames complementares, para conseguir mais informações sobre o caso e sobre o funcionamento dos pulmões.

Normalmente, os médicos desconfiam de DPOC em pacientes acima dos 35 anos, que possuem pelo menos um fator de risco, sendo o fumo o mais comum deles; e que apresentem algum dos sintomas clássicos da DPOC, como falta de ar aos esforços, tosse persistente com ou sem expectoração, chiados, entre outros.

Se há suspeita de DPOC na consulta, o médico pode pedir alguns exames para ajudá-lo na investigação. Dentre os exames mais frequentemente solicitados pelos médicos, estão os seguintes:

  • Exames de imagem, como o raio-X de tórax, ou a Tomografia Computadorizada de tórax, que são capazes de fornecer informações mais detalhadas sobre os pulmões, os vasos sanguíneos, e mesmo sobre o coração, para ajudar na identificação de lesões em qualquer uma dessas estruturas;
  • Exames de sangue, como a gasometria arterial, para que sejam medidos os níveis de oxigênio e de outras substâncias presentes no sangue que corre nas artérias, o que ajuda a saber se o pulmão está funcionando direito;
  • Espirometria, que é um exame não invasivo que avalia a função e a capacidade pulmonar. Esse exame ajuda a conhecer melhor o funcionamento do pulmão e saber qual é o tipo de problema que está causando os sintomas, bem como a sua gravidade. A espirometria pode ser associado a um teste ergométrico, que avalia a capacidade do sistema cardiovascular do indivíduo enquanto avalia a capacidade pulmonar, e fornece informações mais completas em relação ao sistema como um todo e à funcionalidade total.

Esses exames ajudam o médico a confirmar o diagnóstico da DPOC, excluí-lo, ou mesmo a identificar outras causas para os sintomas, como, por exemplo, a insuficiência cardíaca.

Medidas de desfecho da DPOC: a importância da espirometria

A espirometria é um exame que avalia a capacidade e a função pulmonar. Não é um exame que sozinha realiza o diagnóstico da DPOC, mas é muito importante na avaliação dessa doença.

Com a espirometria, o médico é capaz de avaliar o impacto da DPOC na vida do indivíduo, bem como a sua progressão ao longo do tempo, da mesma forma em que auxiliar na avaliação dos efeitos do tratamento.

A espirometria dá valores, como a função pulmonar e os volumes pulmonares, que servem para avaliar, de forma quantitativa, a gravidade da DPOC.

Em associação a um teste ergométrico, exame esse que chamamos de ergoespirometria, ela é capaz ainda de nos fornecer a capacidade de exercício do indivíduo, parâmetro que ajuda e muito na avaliação do impacto da doença e da sua evolução.

É um exame muito importante para indivíduos com essa condição, e todos os profissionais de saúde relacionados com o cuidado desse paciente devem ter acesso à ergoespirometria, não apenas o médico.

Vamos explorar, nessa seção, um pouco mais a fundo algumas das variáveis medidas espirometria, o que elas avaliam, e porque elas são importantes.

  • Volume Expiratório Forçado em um segundo – VEF1

A medida do VEF1 é a principal medida de função pulmonar tida a partir da espirometria. Ela é obtida através da expiração forçada em uma máquina, a qual consegue medir a quantidade de ar que a pessoa é capaz de expelir no primeiro segundo, que é representativa da funcionalidade do pulmão.

Sabe-se que o pulmão em indivíduos com DPOC perde a função muito mais rapidamente do que em indivíduos saudáveis. Logo, um declínio da FEV1 indica progressão da doença ao longo do tempo, e a estabilidade dessa medida indica sucesso no tratamento da DPOC.

Juntamente com o VEF1, a Capacidade Vital Forçada (CVF) é medida, e a relação entre esses dois valores também é utilizada para avaliação da gravidade da DPOC.

  • Volumes pulmonares

Os volumes pulmonares podem sofrer alterações nos pacientes com DPOC, mesmo quando o VEF1 ainda se apresenta dentro dos valores esperados.

A hiperinsuflação pulmonar que ocorre devido à limitação ao fluxo de ar e à perda de recolhimento elástico do pulmão é progressiva, e além de aumentar o trabalho inspiratório, reduz de forma significativa a reserva pulmonar, e aumenta o esforço respiratório e a sensação de falta de ar.

Essa hiperinsuflação pulmonar é medida em repouso, ou durante o exercício – quando é chamada de hiperinsuflação dinâmica – através das medidas dos volumes pulmonares na espirometria.

Elevações nos valores de Capacidade Pulmonar Total (CPT), Capacidade functional residual (CRF), volume residual (VR) durante o exercício, bem como reduções na capacidade inspiratória (CI) durante o exercício, são indicativos de hiperinsuflação dinâmica.

A hiperinsuflação dinâmica tem melhor correlação com a limitação para atividade física e dispneia aos esforços do que a redução do VEF1 isolada.

No entanto, a hiperinsuflação pode variar bastante de paciente para paciente no DPOC, e os exames devem ser considerados no contexto.

  • Capacidade de exercício

A capacidade de tolerar esforço do indivíduo é uma das variáveis que mais importam para a análise do impacto da doença no dia a dia. Ela pode ser feita com a associação do teste de esforço à espirometria, no exame conhecido como esgoespirometria, ou através de um teste ergométrico isolado.

Outras formas comuns de avaliar a tolerância ao exercício e a capacidade funcional são o teste de caminhada de seis minutos, o Shuttle Walk Test, e o Bleep Test.

Percebemos que indivíduos com os mesmos resultados na espirometria podem apresentar funcionalidade completamente diferente no dia a dia.

Por isso, é importante ressaltar que essas medidas correspondem apenas a números, e todo exame deve ser interpretado juntamente com a clínica apresentada pelo paciente, seus sintomas, e outros exames complementares, pois

Qual o tratamento da DPOC?

A DPOC é uma condição com múltiplas manifestações, que pode acometer diferentes pessoas de formas muito diferentes. Ela não possui cura, mas tem tratamento, que deve ser específico para cada situação e focado nos problemas apresentados pelo paciente.

O tratamento adequado é capaz de reduzir os sintomas, prevenir complicações relacionadas à doença, reduzir o número de exacerbações, e, de forma geral, reduzir a progressão natural da doença.

O tratamento para a DPOC é multifatorial, e envolve diferentes aspectos da vida do indivíduo, abrangendo tanto mudanças comportamentais e de estilo de vida, quanto o uso de medicamentos e até mesmo cirurgias.

Dessa forma, o tratamento deve ser administrado por uma equipe multiprofissional, com pelo menos um médico especialista em pulmão – pneumologista – e um fisioterapeuta especializado em fisioterapia respiratória.

Vamos falar de cada tipo de tratamento e suas indicações para o paciente com DPOC.

  • Cessação do tabagismo:

Parar de fumar é um dos pontos principais da DPOC, para aqueles indivíduos que ainda fazem uso do cigarro. É importante orienta RO paciente em relação aos riscos de continuar fumando, e da importância de ficar sem o cigarro para o tratamento da doença.

  • Recomendações alimentares

Não existe de fato uma dieta específica para indivíduos com DPOC, mas sim recomendações gerais para a manutenção de uma alimentação balanceada e saudável para que a saúde como um todo esteja equilibrada.

Uma alimentação balanceada pode prevenir exacerbações e reduzir o risco de infecções que deflagram essas exacerbações, bem como fazer com que o individuo fique mais saudável e disposta, de forma geral.

Manter uma hidratação adequada, com um quantidade ideal de ingestão de sódio, é bom para prevenir o acúmulo excessivo de líquido no corpo, e, consequentemente, nos pulmões, que pode dificultar a respiração, principalmente para quem tem problema cardíaco.

A cafeína pode interagir com algumas medicações, portanto, limite sua quantidade e sempre tente manter a mesma ingestão diária de cafeína.

Manter um peso adequado também é importante, pois o sobrepeso acaba por sobrecarregar os pulmões e o coração, fazendo com que eles tenham que trabalhar mais. Por outro lado, estar muito abaixo do peso deixa o corpo mais frágil e com maior dificuldade de combater infecções.

  • Reabilitação pulmonar:

A reabilitação pulmonar através de programas de exercícios orientados é o principal tratamento dentre as abordagens não farmacológicas da DPOC, e deve ser feita com profissionais capacitados para tal, com benefícios amplamente comprovados na literatura.

  • Terapia inalatória com broncodilatadores

Os broncodilatadores inalatórios podem ser utilizados em dois contextos diferentes: como terapia de resgate nos momentos de crise e exacerbação da doença, ou de forma crônica, como medicamentos de manutenção, para estágios mais avançados da doença.

Nos inaladores de manutenção, pode haver uma associação de corticoesteróides juntamente com os broncodilatadores, que podem ser agonistas beta dois de longa duração, ou antagonistas muscarínicos.

  • Uso de oxigenoterapia (terapia com o uso de oxigênio)

Alguns pacientes com DPOC podem chegar a um estágio da doença onde a troca gasosa no pulmão fica muito prejudicada, e existe a necessidade de ofertar oxigênio suplementar ao paciente, pois a respiração não é capaz de suprir a demanda do corpo.

O oxigênio é ofertado por meio de balas portáteis que permitem que o paciente caminhe, através de cânulas nasais ou máscaras.

O paciente pode necessitar de oxigênio apenas para dormir, por algumas horas por dia, ou mesmo 24h por dia.

  • Uso de ventilação não invasiva (VNI)

A ventilação não invasiva (VNI) pode ser utilizada quando o paciente está em crises de exacerbação da DPOC e não responde às terapias medicamentosas estabelecidas. Essas crises levam a um aumento muito grande do CO2 no sangue.

A VNI deve ser aplicada por profissionais treinados no seu uso e, principalmente, preparados para entender suas indicações e limitações, e que saibam o que fazer em casos de falha.

  • Cirurgia

Apenas casos muito graves de DPOC, que não responderam a nenhum outro tipo de tratamento, são indicados para a cirurgia.

Os casos de DPOC enfisematoso são os mais indicados para a cirurgia, de forma geral.

Um tipo de cirurgia para pacientes com DPOC é a bulectomia, onde os cirurgiões retiram as bolhas de ar do pulmão, sem retirar tecido pulmonar.

Outro tipo de cirurgia é a lobectomia, onde parte do tecido pulmonar lesionado, que já não possui função, é retirada.

Em alguns casos extremos, o transplante de pulmão pode ser uma opção.

O que fazer no caso de uma exacerbação da DPOC?

As exacerbações acontecem, mas eles devem ser minimizadas ao máximo através da otimização do tratamento mencionado acima, com uma associação de terapias medicamentosas, reabilitação pulmonar e mudanças no estilo de vida.

A combinação de corticóides de broncodilatadores inalatórios deve ser ajustada até a dose ideal, bem como o uso de vacinas preventivas adequadas para cada caso, quando indicadas.

Além disso, algumas medidas ajudam na redução das exacerbações, e das crises, bem como reduzem o seu impacto. São elas:

  • Orientar o paciente para que ele saiba como responder caso sinta os sintomas relacionados a uma exacerbação da sua doença;
  • Iniciar prontamente o tratamento de acordo com a causa da exacerbação, incluindo o uso de antibióticos, quando necessário;
  • Uso da VNI, quando indicado, de forma correta, conforme explicado no item anterior;
  • Uso de recursos adequados ou mesmo internação, quando se fizer necessário.
  • Garantir a assistência multidisciplinar ao paciente.

Qual é o prognóstico da pessoa com DPOC?

A progressão da DPOC é, de forma geral, lenta. Nas fases mais iniciais da doença, é muito ocmum que o paciente nem perceba os sintomas, e ainda não seja diagnosticado.

No entanto, uma vez que os sintomas começam, significa que a doença já está em estágios mais avançados. Nessa fase, é necessário um acompanhamento mais de perto com o médico, e os tratamentos necessários deverão ser estabelecidos, bem como algumas mudanças no estilo de vida, de forma a retardar a progressão da doença e reduzir os seus sintomas.

Em estágios mais graves da doença, complicações são muito frequentes, incluindo pneumonia, câncer de pulmão, e depressão. As exacerbações, em alguns casos, podem ser fatais.

De forma geral, pacientes com DPOC que nunca fumaram, ou que pararam rapidamente de fumar, possuem um prognóstico melhor do que os pacientes que fumam.

Além disso, o estado geral de saúde do paciente, bem como a resposta e a aderência ao tratamento, são fundamentais para determinar a qualidade de vida do indivíduo, e interferem na progressão da doença.

Um paciente bem orientado, seguindo o tratamento, realizando a reabilitação pulmonar, pode ter uma vida independente por muito tempo, na grande maioria dos casos.

 

Gostou do nosso guia completo sobre a DPOC? Nesse texto, procuramos abordar tudo sobre a doença, desde suas causas até o seu tratamento. Mas, se você ainda ficou com alguma dúvida, não hesite em deixar sua pergunta nos comentários, que teremos o maior prazer em ajudá-lo!