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Tudo o que você precisa saber sobre a cintura escapular

A cintura escapular nada mais é do que a combinação das duas partes do tronco das articulações dos ombros, ou seja, é o conjunto de ossos que conecta os ombros ao tronco.

Assim como a cintura pélvica, que é composta pelo quadril, conecta as pernas ao tronco e permite a mobilidade da parte inferior do nosso corpo, a cintura escapular é a estrutura que conecta o braço ao tronco, e participa dos movimentos dos membros superiores, conferindo mobilidade e funcionalidade aos mesmos.

O conjunto recebe esse nome, pois a escápula é o osso que se conecta com quase todos os outros que fazem parte da articulação, sendo, portanto, o ponto comum e fundamental para os movimentos realizados por ela.

Além disso, o termo cintura dá a ideia de algo que envolve, de cinturão mesmo, que é justamente o caso dessa articulação, ou complexo articular, que envolve ossos da região posterior, lateral, e anterior da parte superior do tronco, bem como do braço.

A articulação do ombro é de longe a articulação mais móvel do nosso corpo, e justamente por isso, a mais instável. Isso porque as estruturas do nosso corpo, de certa forma, precisam escolher entre estabilidade e mobilidade, e quanto mais se tem de uma, menos se pode ter da outra. Devido à essa instabilidade, a articulação do ombro é muito susceptível à lesões.

Seu objetivo é principalmente o de conferir ao seu humano funcionalidade, pois é graças à ela que conseguimos, evolutivamente, realizar movimentos mais complexos como escalar, engatinhas e nos pendurar em árvores.

Hoje em dia, no entanto, utilizamos cada vez menos a amplitude total de movimento dos ombros. Nossas atividades não exigem tanto dessa articulação, pois se tornaram cada vez menos braçais, e mais intelectuais.

Como consequência, a articulação do ombro tem se tornado cada vez mais fraca, e mais facilmente lesionável quando precisamos, por algum motivo, exigir mais delas.

Vamos, nesse texto, explorar um pouco mais a fundo essa articulação tão complexa do corpo humano, e tão fundamental para o nosso dia a dia.

Anatomia da Cintura escapular

Para entender melhor sobre a importância da cintura escapular e sobre os mecanismos que levam a uma lesão desse segmento corporal, vamos primeiro falar um pouco sobre a sua anatomia.

Iremos também explorar em conjunto a articulação do ombro, que faz parte do grande complexo articular que movimenta os membros superiores, tão importante para a funcionalidade do ser humano.

A cintura escapular é composta por quatro ossos, duas clavículas, uma de cada lado, e duas escápulas, também uma de cada, lado.

Os dois lados da cintura escapular são conectados anteriormente pelo esterno, único osso em número ímpar desse complexo, que se articula com as clavículas, e são a única conexão da contura escapular com o resto do esqueleto.

Posteriormente, as duas escápulas são conectadas pelo músculo rombóide, formando assim um verdadeiro cinturão de ombro a ombro, mas de forma diferente do quadril, que é mais estável, composto por um único osso contínuo.

O complexo do ombro como um todo é composto três ossos, diversos músculos, e quatro articulações principais.

Os ossos que fazem parte da articulação do ombro são o úmero, que é o osso do braço, a escápula, o osso em forma de asa atrás dos ombros, e a clavícula, ou osso do colo.

O esterno, esse ossinho no meio do tórax serve de conexão anterior para a cintura escapular e de auxílio para os movimentos do ombro, e as costelas se articulam com a escápula, permitindo sua movimentação, formando um conjunto complexo e interdependente.

As articulações do ombro são:

·         Articulação acrômio-clavicular: é a articulação entre a escápula e a clavícula.

·         Articulação gleno-umeral: é a articulação entre o úmero e a escápula.

·         Articulação escapulo-costal: é a articulação entre a escápula e as costelas.

·         Articulação esterno-clavicular: é a articulação entre o esterno e a clavícula.

Juntas, essas articulações conferem mobilidade ao ombro, e possibilitam uma variedade de movimentos muito grande.

A conexão principal da articulação do ombro é feita entre o úmero e a cavidade glenóide da escápula, e é uma articulação bem frouxa, que permite uma amplitude de movimento grande, em detrimento da sua estabilidade.

Os músculos da cintura escapular, bem como os de toda a articulação do ombro, trabalham em um equilíbrio muito fino, e possuem um comportamento um pouco diferente dos outros músculos do corpo, sendo que seus tendões funcionam ora como tendões, ora como verdadeiros ligamentos, agindo como estabilizadores da articulação, ao mesmo tempo em que permitem amplitudes de movimentos maiores por possuírem maior elasticidade.

Os músculos que compões a cintura escapular são o serrátil anterior, o peitoral menor, o levantador da escápula, o rombóide, e o trapézio.

·         Serrátil anterior: sua função é a de abdução da escápula, e por seu deslizamento anterior.

·         Peitoral menor: o peitoral menor é responsável pela protração e cotação superior da escápula, e trabalha em conjunto com o serrátil anterior para produzir protração pura da escápula, sem o componente rotacional.

·         Levantador da escápula: é o músculo utilizado no movimento de levantar os ombros, em conjunto com o trapézio. Ele pode ainda auxiliar nos movimentos de extensão e flexão lateral da coluna cervical.

·         Rombóides: os rombóides são os músculos que conectam as escápulas nas costas, responsáveis pela adução das mesmas.

·         Trapézio: o trapézio é um músculo bem grande, dividido em quatro partes. Ele está envolvido no levantar de ombros e em diversos movimentos da cabeça.

Auxiliando no movimento no ombro, conferindo mobilidade e estabilidade à articulação gleno-umeral, está o conjunto de músculos denominado manguito rotador. O manguito rotador é composto por quarto músculos com origem em diferentes partes da escápula, e que se inserem na cabeça do úmero. São eles:

·         Subescapular: responsável pela rotação interna do ombro.

·         Supraespinhoso: responsável pelo início da abdução do ombro.

·         Infraespinhoso: o maior músculo na superfície posterior da escápula, ele é responsável pela rotação externa do ombro, e pela estabilização articular.

·         Redondo menor: auxilia na rotação externa do ombro.

A estabilidade da cintura escapular como um todo depende da ação sinérgica e organizada desses músculos, bem como de sua correta ativação.

É fundamental o treina de estabilidade da cintura escapular para a manutenção das estruturas do ombro em seu lugar correto, para permitir a correta função da articulação do ombro, e para fazer com que esse segmento fique livre de lesões e sintomas de sobrecarga.

Movimentos realizados pela cintura escapular

A partir da sua posição neutra, a cintura escapular realiza rotação em torno de um eixo vertical no final da clavícula, no ponto onde se localiza a articulação esterno-clavicular.

Durante esse movimento existe um movimento da escápula sobre as costelas de forma que esse osso chega a se mover cerca de 15 centímetros lateralmente, fazendo com que a cavidade glenóide sofra uma rotação de 40 a 15º do plano horizontal.

Quando a escápula é movida medialmente, ela forma um plano frontal com a cavidade glenóide voltada lateralmente. Nessa posição, o ponto lateral mais distal da clavícula roda posteriormente, e o ângulo da articulação acrômio-clavicular se abre ligeiramente.

Quando a escápula de move lateralmente, ela se encontra no plano sagital, com a cavidade glenóide voltada anteriormente. Nesse caso, a parte lateral mais distal da clavícula é rodada anteriormente, e a clavícula em si fica sobre o plano frontal. Ao mesmo tempo em que esse movimento reduz o ângulo entre a clavícula e a escápula, ele expande o ombro.

A escápula ainda pode realizar os movimentos de elevação e depressão a partir da sua posição neutra. Esses movimentos podem ter amplitudes de até 12 centímetros.

Na posição de máxima elevação escapular, a cavidade glenóide de volta para cima, gerando uma rotação externa da escápula, movendo seu ângulo inferior em até 12 centímetros, e seu ângulo lateral em até seis centímetros.

Ritmo gleno-umeral

O ritmo gleno-umeral, também chamado de ritmo escapulo-umeral, é a interação cinemática entre os movimentos da escápula e do úmero, fundamental para o adequado funcionamento do ombro.

O trabalho conjunto das quatro articulações do ombro citadas nas sessões anteriores resulta em padrões complexos e coordenados de movimentos do ombro. Os movimentos de cada articulação envolvida são contínuos, porém, ocorrem em taxas diferentes, e diferentes fases da movimentação dos braços.

O movimento da escápula, por exemplo, foi descrito na sessão anterior, consiste em rotações desse osso em relação ao tórax. As movimentações da escápula contribuem, em certos níveis, para a movimentação do ombro.

A escápula contribui tanto na flexão anterior quanto na abdução de ombro rodando a cavidade glenóide de 50 a 60º a partir da sua posição de repouso. A articulação gleno-umeral é responsável pelo restante do movimento.

Na realização da abdução de ombro, por exemplo, a articulação gleno-umeral contribui por algo entre 90 a 120º da amplitude de movimento. A combinação dos movimentos escapulares e umerais é que resulta na amplitude de movimento total de abdução do ombro, que vai de 150 a 180º.

É o ritmo de movimento entre o úmero e a escápula, portanto, que irá permitir uma amplitude de movimentação total do ombro de forma coordenada, o chamado ritmo gleno-umeral.

O ritmo gleno-umeral é, portanto, a taxa de movimento gleno-umeral em relação ao movimento da articulação escapulo-torácica durante os movimentos do braço. Essa taxa é obtida dividindo-se o total da elevação do ombro, seja lateral ou anterior, pela rotação superior da escápula, medida em seu angula inferior.

Em um ombro normal, essa relação, ou taxa, é de 2:1, ou seja, a cada dois graus de elevação do úmero, temos um grau de rotação escapular.

Qualquer alteração nessa taxa pode causar prejuízo no movimento do ombro, redução de amplitude de movimento, e perda de funcionalidade.

Lesões da cintura escapular

Cintura escapular está intimamente ligada à articulação do ombro, que é uma articulação bem susceptível a lesões. Portanto, lesões no ombro irão interferir na ação da cintura escapular, e são frequentemente descritas em conjunto.

As lesões do ombro são especialmente comuns em atletas que praticam esportes que exigem movimentos acima da cabeça, como vôlei, baseball, natação, basquete…

A gravidade das lesões de ombro pode variar dependendo do níve de atividade do indivíduo, posição da lesão, recorrência de fatores causais, idade, entre outros fatores.

Lesões frequentes desse complexo articular envolvem fratura de qualquer osso relacionado ao ombro ou à cintura escapular, como da clavícula, estiramentos ligamentares, lesões do manguito rotador, rupturas de lábios da cavidade glenóide, e outras condições agudas ou crônicas.

A dor relacionada a essas lesões pode ser aguda ou crônica, a depender da duração da lesão, e está relacionada ao processo inflamatório gerado pela lesão, bem como pelas compensações geradas pelo sistema a partir do desequilíbrio inicial.

Essas lesões frequentemente causam, além da dor, redução da amplitude de movimento, e redução da capacidade funcional, e podem ser muito debilitantes, chegando a impossibilitar o uso dos membros superiores, sendo queixas muito frequentes nos consultórios dos fisioterapeutas.

As lesões mais comuns desse complexo são as lesões do manguito rotador. Dentre as lesões comumente encontradas na prática clínica relacionadas a esse segmento encontram-se:

·         Síndrome do impacto: a síndrome do impacto nada mais é do que uma tendinite do supraespinhoso. Esse tendão passa exatamente abaixo da articulação acrômio-clavicular, e pode ser pressionado caso o posicionamento do ombro não esteja adequado durante a realização de algumas atividades que envolvam amplitudes de movimentos maiores dessa articulação.

·         Tendinite de bíceps: frequentemente causada por padrões posturais incorretos, dentre eles a protusão de ombros, ou por excesso de uso do músculo, essa lesão é caracterizada por dor na região anterior da cabeça do úmero.

·         Escápula alada: causada geralmente pela paralisia do serrátil anterior, devido à lesão no nervo torácico longo, ou por paralisia do trapézio, gerada pela lesão do nervo espinhal acessório. A lesão desses nervos pode ser devido a procedimentos cirúrgicos, traumas, ou mesmo por desuso desses músculos. A escápula perde então a aderência ao tórax, se tornando pontuda, formando uma espécie de asa nas costas.

Tratando disfunções da cintura escapular

A cintura escapular é responsável pelo posicionamento das mãos, estabilidade dos braços, e ainda permite que os movimentos dos membros superiores sejam realizados de forma completa, funcional, e coordenada.

Portanto, qualquer disfunção dessa estrutura pode gerar inúmeros problemas, como descrito acima. O tratamento dessas disfunções é imperativo para a restauração da funcionalidade normal dos braços, e consiste, basicamente, na estabilização da cintura escapular.

Como a cintura escapular é uma estrutura complexa, devido ao grande número de músculos e articulações que fazem parte do conjunto e atuam no movimento dos ombros, ela exige uma atenção especial em relação ao fortalecimento dos músculos ao seu redor.

A estabilização desse segmento envolve, portanto, exercícios dinâmicos que trabalhem diversos músculos ao mesmo tempo, pois são as ações conjuntas desses músculos que conferem a estabilidade ao ombro.

Dentro os exercícios de fortalecimento e estabilização da cintura escapular encontram-se os exercícios que trabalham a mobilidade escapular, que trabalhar os músculos do manguito rotador, e que envolvem descarga de peso nos braços, como as pranchas.

Um dos métodos mais completos da atualidade que trabalham a estabilidade da contura escapular é o Pilates, com diversas exercícios e aparelhos que trabalham a articulação do ombro em cadeia fechada, permitindo o uso de diferentes músculos ao mesmo tempo, propiciando um correto equilíbrio entre fortalecimento, flexibilidade e estabilidade à articulação do ombro.

É importante a envolvimento de um profissional especializado no tratamento e no trabalho preventivo de lesões para a cintura escapular. Portanto, procure um fisioterapeuta!

 

A cintura escapular é uma estrutura bem complexa, mas esperamos que esse texto tenha conseguido esclarecer algumas dúvidas. Ficou com alguma pergunta? Sem problemas, escreva nos comentários que iremos te ajudar!