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Pilates e a hérnia de disco

Quem nunca sentiu dores na coluna ou no pescoço? O incômodo acaba prejudicando a rotina diária do indivíduo, seja em tarefas simples de casa ou no trabalho. Essas dores podem ser causadas por diferentes fatores e os mais variados públicos estão suscetíveis ao surgimento.

Entendendo a coluna vertebral

 

pilates-hérnia-de-discoA coluna vertebral é formada pela sobreposição de ossos, denominados vértebras. Trata-se de uma estrutura bem flexível que oferece mobilidade ao tronco, permitindo as mais diversas posições.  Entre as vértebras estão os discos intervertebrais, formados por um material gelatinoso e fibroso e cuja função é de amortecimento dos impactos sobre a coluna vertebral.

Na parte superior, a coluna vertebral se articula com o crânio e na parte inferior, ela está articulada com o osso do quadril (ilíaco). Ela se divide em quatro regiões: cervical, lombar, torácica e sacro-coccígea, sendo que as vértebras cervicais, lombares e torácicas são móveis.

Quando o assunto é coluna vertebral é fundamental uma atenção cuidadosa, pois simples dores que são, muitas vezes, ignoradas por quem as sente podem indicar complicações graves. Grande parte da população sente ou já sentiu dores nas costas que também podem ser acompanhadas por outros desconfortos, como: irradiação das dores para outros membros (pernas e braços, por exemplo); cansaço; sensação de formigamento ou dormência; espasmos musculares; fraqueza que pode gerar restrições motoras, etc.

Diferentes causas podem ser apontadas para o surgimento de dores na coluna vertebral. Dentre os principais fatores de risco estão inclusas as posturas inadequadas e prolongadas em ambientes de trabalho, durante a realização de atividades domésticas, nos estudos, ao dirigir ou em qualquer posição sentada ou de pé. A má postura é um forte agravante para dores nas costas. Embora, existam outros causadores, sabemos que a maioria das dores na coluna e no pescoço é decorrente da má postura. Sentar, deitar ou realizar qualquer atividade sem o devido cuidado com a postura é um dos grandes riscos para o surgimento de dores na região lombar ou cervical da coluna. A má postura influencia na sobrecarga dos músculos responsáveis pela estabilização da coluna vertebral que, por sua vez, tornam-se fracos e têm a função de suporte prejudicada. Outro grande vilão de dores nas costas e no pescoço é o sedentarismo, daí a necessidade de uma prática regular de atividades físicas.

Outros fatores relacionados também podem ser mencionados: vida sedentária; mau condicionamento físico; problemas psicológicos (estresse, tensões emocionais, por exemplo); tabagismo e consumo excessivo de álcool; fatores genéticos, dentre outros.

 

Quando a causa de dores na coluna envolve patologias

 

Como percebemos as dores na coluna podem estar associadas a diferentes fatores. Dependendo da causa, as dores podem desaparecer com mais facilidade, até mesmo sem nenhuma espécie de tratamento, naturalmente. Mas também há outros quadros em que o paciente já convive há bastante tempo com dores na coluna sem nenhum sinal de melhora. Nestes casos, a dor pode ser um sintoma de doença grave na coluna vertebral, como é o caso da hérnia de disco.

A hérnia de disco consiste em uma lesão que acomete, principalmente, a região lombar da coluna, embora também possa surgir na região cervical. Ela pode ser considerada uma das patologias mais graves que afetam a coluna vertebral.

O disco intervertebral é uma estrutura fibrosa e cartilaginosa que contém um líquido gelatinoso no seu centro, chamado núcleo pulposo. Ele está localizado entre as vértebras que formam a coluna e sua principal função é servir de amortecedor para proteger a coluna das pressões e torções exercidas por nós no dia a dia. Uma vez fissurado ou desgastado, esse anel fibroso permite que o líquido gelatinoso que está localizado no seu centro realize uma expansão ou abaulamento da sua estrutura e também pode se extravasar. Chamamos de protrusão discal quando o fenômeno ocorre em pequenas proporções. Se a lesão no anel fibroso que mantém o núcleo for grande, o líquido contido no núcleo poderá sair para o meio externo e, quando isso acontece, o disco poderá diminuir de volume, achatando-se. Por isso, chamamos de hérnia de disco. Dependendo do local da saída desse “gel”, o paciente poderá sentir fortes dores.

O paciente com hérnia de disco pode apresentar os seguintes sintomas: dor nas costas ou no pescoço (dependendo da localização da hérnia) há mais de três meses; coluna torta quando entra em crise; dor noturna que piora durante o sono e que permanece ao acordar; dor que piora ao ficar em pé com a perna estendida; bastante dificuldade para ficar sentado por mais de 10 minutos; redução de força em uma das pernas ou nas duas; impossibilidade de ficar de ponta de fé com uma das pernas; dor, formigamento ou dormência nos membros superiores ou posteriores; dificuldades extremas para segurar a urina (incontinência urinária); redução do rendimento e desânimo para a realização de atividades rotineiras; dores de cabeça associadas a dores na região da nuca e que se prolongam para os ombros; dificuldade para se locomover ou levantar algum objeto, etc.

Classificação da hérnia de disco em três tipos:

 

pilates-hérnia-de-disco– Protrusas: O disco se alarga, mas contém o líquido gelatinoso no seu centro. A base do disco se avoluma e fica mais larga que o diâmetro de origem. As paredes do disco poderão tocar em regiões e áreas de grande sensibilidade nervosa, gerando dores e incapacidades.

– Extrusas: A hérnia de disco lombar extrusa é uma condição ortopédica muito frequente e importante que afeta os discos intervertebrais da coluna que funcionam como verdadeiros amortecedores. A patologia se dá quando há o rompimento desse anel fibroso e o conteúdo gelatinoso interno ou núcleo pulposo sai por meio de uma fissura na membrana, havendo perda de contato dos fragmentos extravasados com o seu meio interno.

– Sequestradas: A hérnia de disco sequestrada é aquela que rompe a parede do disco e o líquido gelatinoso migra para dentro do canal medular, para cima ou para baixo. Além da pressão na raiz nervosa, provoca inflamação e compressão contínua. É o tipo de hérnia que provoca a chamada dor química, pois esse núcleo pulposo, quando fora do seu ambiente natural, tem propriedades químicas ácidas e provoca dores insuportáveis. O paciente se apresenta com postura antálgica, inclinando o tronco para o lado que lhe dê conforto. Neste caso, a melhora só será possível com medicamentos, repouso ou até mesmo cirurgia.

Alguns números sobre a hérnia de disco

 

– 95% das pessoas que sofrem com a hérnia de disco não precisam realizar cirurgia na coluna vertebral, podendo tratar com método não invasivo.

– 13% das consultas médicas envolvem dores na coluna.

– 15% da população mundial sofre com a hérnia de disco.

– 70% da população brasileira com mais de 40 anos sofre de algum tipo de problema na coluna.

– Essa doença é a 3ª causa de aposentadoria precoce, as dores nas costas são também o 2° principal motivo das pessoas que tiram licença no trabalho.

– Mais de 6 milhões de brasileiros sofrem com a doença e é a 2ª maior causa de afastamento do trabalho, ficando atrás apenas das doenças cardíacas.

– Pessoas com faixa etária de 25-45 anos apresentam o maior índice de casos de hérnia de disco.

Principais causas da hérnia de disco

 

Os principais fatores de risco para o surgimento da hérnia de disco estão listados abaixo:

1 – Fatores hereditários;

2 – Traumas diretos ou de repetição;

3 – Fumo;

4 – Idade avançada (também é motivo de lesões degenerativas);

5 – Sedentarismo (é um fator determinante para dores nas costas);

pilates-hérnia-de-disco6 – Ação de inclinar e girar o tronco frequentemente;

7 – Posição de ficar em pé ou sentado por muito tempo, principalmente no trabalho;

8 – Ação de levantar, empurrar e puxar objetos;

9 – Movimentos repetitivos em casa ou no trabalho;

10 – Prática esportiva;

11 – Trabalho que provoca vibrações no corpo;

12 – Trabalhar dirigindo;

13 – Fletir o tronco com frequência para apanhar objetos;

14 – Fatores psicológicos e psicossociais.

 

Veja também

 

Tratamento para a hérnia de disco

 

Uma vez diagnosticada a hérnia de disco, o tratamento pode ser administrado com alguns medicamentos prescritos pelo médico especialista, mas, sobretudo, com sessões de fisioterapia. A cirurgia não é o principal procedimento, uma porcentagem mínima dos casos de pacientes com hérnia de disco necessita de alternativas cirúrgicas.

O método Pilates

 

A coluna vertebral funciona como um pilar de sustentação para todo o corpo. Composta de três importantes curvaturas fisiológicas que ajudam na sustentação e descarga do peso corporal, ela é hoje, segundo pesquisas recentes, uma das principais causas de afastamento no trabalho. Isso ocorre porque o homem permanece por mais tempo em posturas estáticas, sejam sentadas ou em pé, não só no trabalho como em atividades de lazer, gerando, assim, as sobrecargas na coluna por períodos mais prolongados. Além disso, hábitos posturais errados adquiridos ao longo do dia, uso de bolsas e calçados que são inapropriados agravam ainda mais este problema que vem crescendo com o mundo moderno.

Para evitar a dor na coluna, é preciso manter o corpo flexível, coordenado e equilibrado. Por ser uma atividade constituída de técnicas que trabalham flexibilidade, postura, consciência corporal, equilíbrio, tônus e respiração, o método Pilates pode ser considerado hoje o exercício mais completo para trabalhar não só de forma preventiva, mas também como um grande aliado em tratamento de dores na coluna.

Benefícios do Pilates para quem sofre com problemas na coluna

pilates-hérnia-de-discoA prática regular de Pilates contribui para melhorar a postura do aluno e infinitos outros benefícios, além de estimular a coordenação motora, melhorar o padrão respiratório, aumentar o tônus muscular, a força e a resistência. A técnica não só previne doenças musculoesqueléticas, como também é capaz de melhorar alterações significativas da coluna vertebral, protegendo as articulações e toda a coluna.

Os exercícios do método Pilates são estruturados cuidadosamente a fim de coordenarem os movimentos do corpo com a respiração. Além de tonificar todos os grupos musculares, o exercício melhora a postura, a resistência e a força, podendo ser um aliado no combate às dores da coluna por buscar a qualidade dos movimentos e não a quantidade.

Através do método Pilates podemos atuar diretamente em músculos importantes que são responsáveis por estabilizar e proteger a coluna vertebral. Músculos esses como multífidos e transverso do abdômen que compõem o chamado ‘’power house’’ ou centro de força do Pilates, localizado na região abdominal, que quando contraídos isoladamente previnem dores nas costas e o seu fortalecimento protege as estruturas articulares de micro traumas repetitivos, dor recorrente e mudanças degenerativas, funcionando em uma coluna saudável como uma cinta de proteção.

Pilates no fortalecimento da coluna vertebral

Mais do que favorecer o bom condicionamento físico, o Pilates ajuda a manter a coluna e o corpo saudáveis. A técnica apresenta um repertório bastante variado de exercícios que se adaptam, perfeitamente, às necessidades de cada praticante. Os movimentos podem ser praticados no solo com o auxílio, apenas, de acessórios (como a bola de Pilates e elásticos) ou pode ser executada em aparelhos próprios para Pilates que são ajustáveis e, portanto, permitem facilitar ou dificultar um mesmo exercício, de acordo com o programa personalizado de cada paciente.

Os exercícios ajudam no fortalecimento da musculatura responsável pelo suporte à coluna, além de favorecer o relaxamento, livrando o corpo de tensões e estresse que, normalmente, contribuem para o aparecimento de dores. O Pilates também contribui para o desenvolvimento de uma maior consciência corporal. O paciente aprende a cuidar da postura, naturalmente, no dia a dia, evitando a sobrecarga da coluna ou de outras áreas do corpo.

Com um amplo repertório de exercícios, o Pilates reúne técnicas que promovem o fortalecimento da musculatura da região lombar que uma vez saudável mantém a coluna estabilizada, sem desvios.

Exercícios específicos auxiliam no alívio das dores, mas antes de iniciá-los é fundamental uma avaliação física realizada por profissional qualificado. Nesta etapa serão identificadas as necessidades e limitações do aluno para que seja montado um programo de exercícios personalizados e, assim, garantir a eficácia da técnica. O trabalho precisa ser bem direcionado, para não ser prejudicial ao invés de efetivo.

A cada aula, o praticante ganha uma maior consciência acerca de seu próprio corpo, aprendendo a utilizá-lo de forma correta sem o desperdício de energia e com o máximo de segurança. Mas cabe ao paciente focar sua atenção em cada movimento executado, seguindo com fidelidade as instruções do profissional acompanhante.