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O que são Cistos de Tarlov, e qual o seu tratamento

Os cistos de Tarlov, também conhecidos como cistos peri-neurais, são pequenos “sacos” meníngeos preenchidos de líquido cefalorraquidiano, localizados frequentemente na região sacral da coluna, entre as vértebras S1 a S5. Eles também ocorrem em outras regiões da coluna, mas essa apresentação é muito mais rara.

A grande diferença entre os cistos de Tarlov e outros cistos neurológicos é o seu revestimento, repleto de fibras nervosas. Isso porque os cistos de Tarlov são formados dentro do revestimento das raízes nervosas dos gânglios dorsais da medula.

A causa dos cistos de Tarlov ainda não é bem definida. Existem alguma teorias para o seu surgimento, como aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano, o preenchimento de cistos congênitos da meninge ao longo dos anos através de mecanismos valvados unidirecionais, como resultado de processos inflamatórios ou como resposta à traumas ou doenças específicas.

No entanto, nenhuma dessas etiologias foi comprovado por meio de estudos experimentais, logo, a verdadeira causa desse tipo de cisto meningeal ainda é desconhecida.

O nome dessa condição vem do primeiro pesquisador que a documentou, Isadore Tarlov. No inicio de suas pesquisas, ele acreditava que os cistos eram assintomáticos. No entanto, com a progressão dos seus estudos, descobriu-se que em muitos pacientes, esses cistos produziam sintomas.

Os Cistos de Tarlov são mais incomuns em comparação com outros cistos neurológicos. Algumas doenças parecem estar associadas ao surgimento desses cistos, com a Síndrome de Marfan, a Síndrome de Ehlers-Danlos, e a Síndrome de Loeys-Dietz.

Como se apresentam os cistos de Tarlov?

Os cistos de Tarlov são pequenas bolsas com paredes finas e fibrosas. Eles se rompem facilmente ao toque, e por isso, a correção cirúrgica se torne bem difícil.

Sua parede é composta de inúmeras fibras nervosas, com aparência semelhante a um fio dental, sem nenhuma organização específica, se apresentando como um emaranhado na superfície do cisto.

A sua parede mais externa é composta de tecido conectivo vascularizado, e a parede interna de tecido aracnoide. Além de conter fibras nervosas, sua parede pode ainda conter, à vezes, células ganglionares.

O tamanho dos cistos varia muito, e quanto maior o cisto, mais sintomas o paciente irá apresentar. A quantidade de líquido dentro do cisto também dependerá do seu tamanho, podendo varia de alguns mililitros até 2,5 litros!

Eles são mais comuns da coluna sacral, e podem crescer tanto de tamanho que chegam a comprimir estruturas abdominais, gerando dor e outros sintomas.

Os cistos são mais comuns em mulheres, e podem aparecer sozinhos ou em grupos, unilateralmente ou bilateralmente na coluna.

Quais são os sintomas dos cistos de Tarlov?

Os sintomas do cisto de Tarlov geralmente aparecem quando ele já atingiu um tamanho maior, e cistos menores são pouco, ou nada, sintomáticos. Por isso, o seu diagnóstico é, muitas vezes, difícil.

Na maioria das vezes os sintomas irão se apresentar como sintomas de lesões espinhais normais, e irão variar de acordo com a localização do cisto.

Dentre os sintomas mais característicos, encontram-se:

·         Dor;

·         Espasticidade;

·         Hipertonia;

·         Disfunção muscular;

·         Fraqueza muscular;

·         Radiculopatias.

Os sintomas aparecem em cerca de 15 a 30%  dos indivíduos com diagnóstico de cisto de Tarlov. A importância do diagnóstico dessa condição está no potencial de crescimento dos cistos, que é bem grande, tendendo a causar complicações e sintomas mais graves, como a erosão dos ossos ao redor do cisto.

Como dito anteriormente, eles são mais comuns na região sacral da coluna vertebral, logo, os sintomas aparecerão mais classicamente nos membros inferiores, abaixo do nível do cisto, assim como qualquer outra lesão medular.

Os pacientes com cisto de Tarlov sacral sintomático são divididos em quatro diferentes grupos, dependendo dos sintomas apresentados:

·         Grupo 1: dor sacral que se irradia para as pernas, associada a fraqueza dos membros inferiores;

·         Grupo 2: dor nos ossos da coluna sacral, nas pernas, e na virilha, associada a disfunção sexual e da bexiga;

·         Grupo 3: dor que se irradia da região de localização do cisto para os quadris e região abdominal baixa;

·         Grupo 4: pacientes não apresentam dor, porém apresentam disfunção sexual e da bexiga.

Outros sintomas comumente associados aos cistos de Tarlov são dor nas costas, principalmente na região sacral e lomba, dor ciática, síndrome da cauda equina, síndrome do piriforme, claudicação neurogênica, bexiga neurogênica, incontinência urinária, dor ou dificuldade ao urinar, radiculopatia sacral, dor radicular, vaginismo,  problemas motores nas pernas, dos nas nádegas, disfunção erétil ou sexual, redução de sensibilidade, entre outros.

O que causa o cisto de Tarlov

Não existe causa confirmada para o aparecimento do cisto de Tarlov, mas existem diversas hipóteses propostas para o seu surgimento e crescimento, dentre elas:

·         Infiltração de sangue pata o tecido espinhal devido a uma hemorragia;

·         Inflamação das raízes nervosas, com consequente retenção de líquido entre os tecidos, formando os cistos;

·         Preenchimento de cistos congênitos através de válvulas;

·         Perda da drenagem venosa após um trauma;

·         Entre outras.

O que sabe com uma maior certeza é que os cistos de Tarlov tendem a crescer ao longo do tempo. A explicação mais aceita para o seu crescimento é que o fluxo de fluido cerebrospinal que ocorre com os batimentos cardíacos acaba por empurrar mais o líquido para dentro dos cistos, mas não consegue sair devido a mecanismos semelhantes à válvulas, ainda não muito compreendidos.

Alguns fatores são conhecidos por desencadear o crescimento desses cistos, como trauma ou lesões na coluna, parto, excesso de atividade física, ou processos inflamatórios exacerbados, por exemplo.

Cistos muito grandes começam a causar sintomas e correr o risco de se romperem, gerando sintomas neurológicos como hipotensão craniana, dores de cabeça, náuseas e vômitos, entre outros.

Como é feito o diagnóstico dos cistos de Tarlov

O diagnóstico do cisto de Tarlov é, muitas vezes, feito apenas quando o paciente apresenta algum sintoma, ou seja, quando ele já está com um tamanho mais avantajado.

Ele é feito através de exames de imagem, mas os cistos frequentemente são ignorados nos exames, por serem pequenos, e ainda por serem uma condição recentemente descoberta, e pouco conhecida no momento, mesmo pelos especialistas.

Os principais exames utilizados para o diagnóstico do cisto de Tarlov são a Ressonância Magnética e a Tomografia Computadorizada. A ressonância é o exame de escolha para esse diagnóstico, pois possui melhor definição e permite ainda uma melhor visualização da densidade do cisto, da sua localização, e dos impactos que ele causou nos tecidos adjacentes, como os ossos do sacro.

Tratamento do cisto de Tarlov

Como o cisto de Tarlov é uma condição ainda pouco conhecida e pouco estudada, com causas ainda não bem definidas, não existe ainda um consenso a respeito do seu tratamento ideal.

Geralmente, o tratamento se inicia quando a condição começa a gerar sintomas, mesmo se o diagnóstico já foi feito em um estágio mais inicial.

Os sintomas são gerados principalmente pela compressão nervosa que acontece na medida em que o cisto cresce.

Dentre os tratamentos conhecidos para essa condição estão alguns tratamentos mais invasivos, como a microfenestração dos cistos, que consiste na realização de pequenos furinhos que permitem a saída do líquido de dentro da cavidade cística, impedindo assim o seu crescimento exagerado e progressão dos sintomas.

Caso a microfenestração não seja bem sucedida em drenar o excesso de líquido de dentro do cisto, ele pode ser drenado e fechado cirurgicamente. A simples drenagem do líquido promove alívio temporário dos sintomas, mas a condição volta a progredir na medida em que o cisto volta a crescer.

A remoção completa do cisto é uma cirurgia perigosa devido ao risco de lesão definitiva da raiz nervosa, uma vez que os cistos de Tarlov são estruturas ricamente enervadas.

Outras intervenções cirúrgicas podem ainda ser utilizadas para corrigir os ossos do sacro que foram desgastados pelo crescimento do cisto, como o uso de placas metálicas de sustentação.

Todos esses tratamentos cirúrgicos possuem riscos, como qualquer cirurgia envolvendo o sistema nervoso.

Manejo dos sintomas do cisto de Tarlov

Quando o cisto de Tarlov causa, mas não é grande o suficiente para uma intervenção cirúrgica, ou mesmo os riscos do procedimento não compensam seus benefícios, outras alternativas podem ser encontradas para ajudar no alívio dos sintomas.

Uma dessas medidas é a retirada do líquido de dentro do cisto, já comentada, que gera um alívio temporário dos sintomas.

Outra opção de tratamento é o uso da Estimulação Elétrica Transcutânea, mais conhecida como TENS, para auxiliar no alivio da dor relacionada ao crescimento dos cistos.

Outras modalidades terapêuticas utilizadas por fisioterapeutas tem se mostrado efetivas no tratamento dos cistos de Tarlov, como o uso de ultrassom, crioterapia, e calor local.

Ainda é controverso o uso de outros tipos de terapias no alívio dos sintomas dessa condição, e a experiência clínica demonstra que os exercícios normalmente utilizados em pacientes com outros tipos de síndromes medulares compressivas não promovem beneficio, e ao contrário, acabam por piorar os sintomas.

Alguns pacientes relatam que mudanças na alimentação, como a ingestão de alimentos antiinflamatórios, por exemplo, auxiliam no controle dos sintomas e da dor relacionada aos cistos de Tarlov.

No entanto, mas estudos precisam ser desenvolvidos de forma a esclarecer mais sobre a doença e promover evidências mais fortes em relação ao melhor tratamento para oss cistos de Tarlov.

E você, conhecia os cistos de Tarlov? Ficou com alguma dúvida? Conhece alguém com essa condição e quer contar sua experiência? Escreve pra gente  nos comentários!