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Incontinência urinária e a Fisioterapia

A incontinência urinária é o nome que se dá à perda controle da bexiga, ou seja, quando a pessoa não consegue segurar o xixi. É um problema bastante constrangedor, mas muito mais comum do que parece.

Ela pode ser um problema pequeno, caracterizado pela perda de pequenas gotinhas de urina ao longo do dia, ou pode causar transtornos maiores, quando a pessoa realmente perde o controle total e acaba fazendo xixi exatamente onde estiver.

Esse problema pode estar associado ao esforço, ou seja, pode acontecer uma  perda de urina apenas quando a pessoa espirra ou tosse, por exemplo, ou em alguns casos pode ocorrer um vontade súbita e incontrolável de ir no banheiro, e como na existe controle, a pessoa  acaba urinando onde está.

Apesar de ser um problema muito comum nos idosos, a incontinência urinária não um problema comum que acontece com a idade. Ela é sempre resultado de um problema, que na grande maioria das vezes tem tratamento.

A incontinência urinária pode afetar e muito a vida dos indivíduos, logo, é importante falar sobre ela e informar as pessoas de que ela é um problema comum, com tratamento, para encorajar as pessoas a falarem sobre o tema e procurarem ajuda.

Nesse texto nós vamos falar um pouco mais sobre o que é a incontinência urinária, suas causas,, e seu tratamento, com o objetivo de dar informações e mostrar que ée um problema com solução, e muito mais comum do que as pessoas pensam, não devendo ser motivo de vergonha.

Vamos abordar ainda o tratamento da incontinência urinária através de exercícios e da fisioterapia, o que ainda é pouco comentado, mas que tem surtido efeitos muito benéficos para as pessoas que sofrem desse mal.

Quer conhecer um pouco mais sobre a incontinência urinária? Role para baixo e saiba tudo sobre o tema!

O que é a incontinência urinária?

Como dito anteriormente, a incontinência urinária nada mais é do que a perda involuntária de urina. É importante ressaltar que a incontinência urinária não é uma doença em si, mas sim um sintoma que indica a presença de outra condição ou doença de base que está causando a perda urinária.

Para que a perda urinária seja considerada um tipo de incontinência, ela deve ser objetivamente mensurável de alguma forma. Saberemos um pouco mais sobre os testes diagnósticos um pouco mais à frente nesse texto.

A incontinência urinária representa um problema social importante, com impacto na qualidade de vida das pessoas, bem como um problema de higiene, o que pode levar a outras doenças e outros sintomas.

A incontinência urinária pode aparecer em qualquer pessoa, de qualquer sexo e idade, mas depende de alguns fatores de risco, e é mais comum em mulheres. Apesar de ser mais comum em idosos, não é considerada uma condição normal do envelhecimento.

Quais são as causas da incontinência urinária?

A incontinência urinária ocorre, basicamente, por deficiência de funcionamento do esfíncter urinário, dos músculos da bexiga, e/ou dos músculos do assoalho pélvico, que dão sustentação à bexiga, e auxiliam na função do esfíncter.

O esfíncter é a estrutura responsável por “fechar e abrir” a bexiga. Quando ele está funcionando corretamente, ele permite que a bexiga fique “tampada”, impedindo o escape de xixi, e permite a abertura voluntária da bexiga quando esta está cheia, ou seja, a pessoa controla a sua abertura na hora de fazer xixi.

O esfíncter urinário é um músculo de fibras musculares lisas, que são fibras musculares involuntárias, e fibras musculares estriadas, que são fibras musculares voluntárias, ou seja, é um músculo controlado pelo Sistema Nervoso Central sem a nossa vontade consciente, mas que também pode ser conscientemente controlado, quando queremos fazer xixi.

Ou seja, qualquer alteração no esfíncter urinário, ou nas vias nervosas, seja voluntária ou involuntária, que o controlam, pode levar à incontinência urinária.

A incontinência urinária pode ser causada por diversos fatores, dentre eles hábitos diários, problemas físicos, traumas, ou doenças e problemas médicos propriamente ditos.

Nos casos de incontinência urinária temporária, ou seja, aquela que desaparece sozinha com o tempo, mesmo sem tratamento, temos como causas principais alguns tipos de bebidas, comidas ou remédios que podem estimular a bexiga e/ou aumentar o volume de xixi. Dentre eles, estão:

·         Álcool;

·         Café, ou bebidas contendo cafeína;

·         Refrigerantes, água com gás ou bebidas gaseificadas;

·         Adoçantes;

·         Chocolate;

·         Pimenta;

·         Comidas muito temperadas, apimentadas ou ácidas;

·         Frutas ácidas;

·         Medicamentos como os diuréticos, os sedativos, e os relaxantes musculares;

·         Vitamina C em doses muito altas;

·         Dentre outros.

A incontinência urinária que não passa sozinha pode ser causada por algumas condições que são facilmente tratáveis, como infecções urinárias, ou constipação intestinal. Nesses casos, é só tratar a doença de base que a incontinência passa.

A incontinência urinária persistentes é causada por doenças e problema médicos como:

·         Gravidez: a gravidez pode gerar incontinência urinária tanto por mudanças hormonais quanto pelo próprio peso do feto, que ao crescer gera compressão na bexiga, levando à incontinência em alguns casos;

·         Parto: o parto vaginal pode enfraquecer a musculatura do assoalho pélvico, necessária para o controle da bexiga, ou ainda pode gerar lesões nos nervos que suprem a bexiga;

·         Idade: o envelhecimento pode reduzir a força dos músculos do assoalho pélvico, ou reduzir a capacidade da bexiga de armazenar urina, o que pode favorecer o aparecimento da incontinência urinária;

·         Menopausa: a menopausa pode levar à incontinência também por causas hormonais, principalmente pela redução da produção de estrogênio pelo corpo;

·         Histerectomia: os músculos que dão suporte ao útero e à bexiga, na mulher, são praticamente os mesmos, logo, a cirurgia para retirada do útero acaba por danificar esses músculos e prejudicar sua função de sustentar a bexiga, que pode se tornar caída, favorecendo à incontinência;

·         Aumento da próstata ou câncer de próstata: nos homens, a incontinência urinária é comumente causada por alterações na próstata, que pode comprimir a bexiga ou mesmo danificar estruturas importantes para o seu funcionamento, como nervos e músculos, levando à incontinência;

·         Prolapsos da bexiga: o prolapso da bexiga significa a queda do órgão por falta de sustentação dos músculos à sua volta, tornando-a mais flácida e interferindo com a sua função;

·         Obstruções: um tumor em qualquer ponto do trato urinário pode levar ao bloqueio da urina, causando um tipo de incontinência por transbordamento. Exemplos de obstruções que podem levar à incontinência são as pedras nos rins;

·         Problemas neurológicos: a esclerose múltipla, o AVC, a doença de Parkinson, um tumor no cérebro ou na medula espinhal, um traumatismo craniano, ou uma lesão na medula são todas condições que podem causar danos nas estruturas responsáveis pelo controle nervoso da bexiga ou dos músculos que a sustentam, causando um tipo de incontinência chamado de bexiga neurogênica.

Existe mais de um tipo de incontinência urinária?

Incontinência urinária pode ser apresentar de diversas formas, por isso as pessoas com incontinência muitas vezes tem queixas bem diferentes umas das outras. Como é de se esperar, cada tipo de incontinência vai ter um tipo de abordagem diferente, dependendo, principalmente, da sua causa.

Portanto, é importante saber dos tipos de incontinência primeiramente para ser capaz de reconhecê-los e saber quando procurar ajuda, e em segundo lugar para poder saber qual o tratamento correto para cada caso.

Dentre os tipos de incontinência urinária, encontram-se:

·         Incontinência urinária de estresse:

Esse tipo de incontinência é aquele no qual a perda de urina ocorre apenas quando a indivíduo realiza algum esforço exacerbado, que exerce pressão na bexiga. Esse esforço pode ser apenas um espirro, uma tosse, uma risada, ou pode ser o levantamento de objetos pesados, por exemplo.

·         Incontinência urinária de urgência

A incontinência urinária de urgência é aquela na qual o indivíduo possui uma vontade urgente e incontrolável de ir ao banheiro, e muitas vezes não consegue segurar o xixi até chegar ao banheiro, ocorrendo então perda de urina. Sintomas comuns desse tipo de incontinência incluem a vontade frequente de urinar durante a noite. Esse tipo de incontinência pode ser causado por problemas mais brandos como uma infecção urinária, ou por doenças mais sérias como problemas neurológicos e diabetes.

·         Incontinência urinária por transbordamento

São as perdas de urina causadas por obstruções em algum ponto do tracto urinário, levanto à vazamentos de urina, que podem ser constantes ou pontuais. A bexiga, nesse tipo de incontinência, nunca se esvazia completamente, e a pessoa fica com uma sensação constante de vontade de fazer xixi.

·         Incontinência urinária funcional

Incontinência urinária funcional é devido à um problema físico ou cognitivo que impede que a pessoa vá ao banheiro à tempo de fazer xixi. Um exemplo desse tipo de incontinência pode ser a artrite severa, que faz com que a pessoa ande devagar até o banheiro, ou não consiga desabotoar a calça a tempo, por exemplo.

·         Incontinência urinária mista

Existe a possibilidade de que mais de um tipo de incontinência coexista na mesma pessoa, que pode sofrer sintomas de incontinência urinária de esforço e de urgência ao mesmo tempo, por exemplo.

Os principais sintomas da incontinência urinária

A maioria dos portadores de incontinência urinária sofre apenas de sintomas mais leves da condição, como pequenos vazamentos ocasionais. Algumas pessoas, no entanto, apresentam perdas maiores, de forma mais freqüente, que chegam a atrapalhar no relacionamento social e atividades diárias.

Os sintomas da incontinência urinária são, além do sintomas óbvio de perda de urina involuntária mensurável, vontade súbita e urgente de ir ao banheiro, ou vontade de urinar muitas vezes no dia.

Quando qualquer um desses sintomas aparecer, é importante que a pessoa procure um médico, principalmente se a incontinência é frequente e chega a atrapalhar as suas atividades.

Além disso, a incontinência urinária pode indicar uma doença de base mais séria, que necessita de atenção e tratamento.

Existem fatores de risco para a incontinência urinária?

Algumas situações podem aumentar o risco de alguém desenvolver a incontinência urinária. São eles:

·         Sexo: ser mulher parece aumentar a probabilidade de uma incontinência urinária, principalmente porque a mulher é susceptível à diversas situações que podem causar essa condição, diferentemente dos homens, como variações hormonais, menopausa, gravidez, e parto.

·         Idade: a velhice é um fator de risco para o surgimento da incontinência urinária por os músculos do corpo, de forma geral, se tornam mais enfraquecidos, e isso inclui os músculos da bexiga e do assoalho pélvico. Outro fator associado se dá pela redução de mobilidade e funcionalidade frequentemente encontrada nos idosos.

·         Sobrepeso: o aumento do peso, principalmente de gordura abdominal, aumenta a pressão sobre a bexiga, podendo aumentar o risco para o desenvolvimento de incontinência.

·         Tabagismo: o uso de cigarros parece aumentar o risco para incontinência urinária.

·         História familiar: quem possui casos na família de incontinência urinária parece ter mais risco de apresentar os sintomas.

·         Entre outros.

Complicações da incontinência urinária

Quando a incontinência urinária se torna crônica e não é tratada de forma correta, ela pode gerar algumas complicações e impactos na saúde. Dentre essas complicações estão:

·         Problemas na pele: a urina é ácida, e, ao ter contato com a pele, pode acabar causando vermelhidão, inchaço, irritações, ou mesmo feridas e infecções cutâneas, o que pode ser especialmente perigoso devido ao alto nível de bactérias na urina.

·         Infecções urinárias: a incontinência aumenta o risco de infecções urinárias de repetição.

·         Problemas sociais e de relacionamento: a incontinência urinária pode interferir, e muito, na vida pessoal de alguém, principalmente em relações pessoais e amorosas, causando constrangimento e tendo impactos significativos. Por isso, muitas vezes o tratamento da incontinência inclui um acompanhamento psicológico para tratar dessas questões.

Existe prevenção para a incontinência urinária?

Algumas causas da incontinência urinária não são preveníveis, mas em alguns casos é possível reduzir o risco de desenvolver essa condição através de algumas medidas simples, como por exemplo:

·         Manutenção de um peso dentro dos limites normais de saúde;

·         Prática constante de exercícios físicos, principalmente aqueles que trabalham os músculos do assoalho pélvico;

·         Manter uma alimentação saudável e livre de alimentos ou bebidas que irritem a bexiga, como cafeína, álcool e alimentos ácidos;

·         Ingerir mais fibras, que previnem a constipação intestinal, uma das possíveis causas de incontinência urinária;

·         Não fumar, ou tentar para de fumar.

Como é feito o diagnóstico da incontinência urinária?

O diagnóstico da incontinência urinária geralmente é feito por um ginecologista, no caso das mulheres, ou por um urologista, no caso dos homens.

A primeira suspeita da incontinência urinária é feita pelo médico em uma consulta, através dos sintomas relatados pelo paciente. Por isso, é muito importante não esconder nada e ser totalmente sincero nos relatos na sua consulta.

A partir daí, o médico irá solicitar alguns exames para poder confirmar a suspeita de incontinência urinária, determinar sua gravidade, sua possível – ou possíveis – causa, e traçar o melhor plano de tratamento para o seu caso.

É importante, ainda, determinar o tipo de incontinência urinária apresentada, uma vez que isso irá interferir no tratamento.

Quando existe a suspeita de incontinência urinária de esforço, um teste simples pode ser realizado, no qual o médico pede para que o paciente fique sem calça de pé em cima de um pano no chão, e pede para que ele tussa, como forma de testas a presença de incontinência urinária.

Um exame físico também é importante para investigação da causa de incontinência, para verificação da presença de algum prolapso, ou de aumento da próstata, no caso dos homens, para guiar as decisões daí para frente, e incluir ou excluir suspeitas diagnósticas.

Exames complementares que auxiliam no diagnóstico da incontinência urinária incluem:

·         Uranálise: é o exame de urina clássica, que verifica a presença de sinais de infecção, sangue, ou qualquer outro tipo de alteração na urina.

·         Diário miccional: o diário miccional pode tanto ser usado para auxiliar o diagnóstico da incontinência, como para acompanhar a evolução do tratamento. Ele nada mais é do que o registro de todas as informações pertinentes ao caos, como a quantidade de líquido que o paciente ingeriu no dia, quantas vezes ele urinou, e a quantidade, e se existiu alguma perda de urina durante o dia.

·         Medida de volume residual da bexiga: esse teste consiste na medida, através de uma sonda vesical, da quantidade de urina deixada na bexiga após uma micção. Isso diz ao médico se existe ou não alguma obstrução importante no trato urinário, falando contra ou a favor à incontinência urinária por transbordamento.

Normalmente, esses exames são suficientes para o esclarecimento do caso. No entanto, caso uma investigação adicional seja necessária, ou se o seu médico esteja pensando em uma cirurgia para corrigir o seu problema, outros exames podem ser solicitados, como um ultrasom pélvico, ou um estudo urodinâmico.

O estudo urodinâmico pode ser solicitado quanto o caso é de incontinência urinária persistente, pois ele ajuda a ter uma noção melhor do quadro do paciente, da gravidade da incontinência, e do tipo de tratamento indicado.

Qual o tratamento para a incontinência urinária?

Como dito anteriormente, o tratamento da incontinência urinária irá depender do tipo de incontinência, da sua gravidade, e da doença de base que está causando a condição. Muitas vezes um tratamento único não é suficiente, sendo necessária uma combinação de técnicas como medicamentos e exercícios físicos, por exemplo.

Se a incontinência urinária está sendo causada por uma doença de Bse, como uma infecção urinária, por exemplo, essa doença deve ser tratada primeiro, para que depois seja corrigida a incontinência.

A primeira tentativa de tratamento está sempre em técnicas menos invasivas, para depois então se pensar em técnicas cirúrgicas, até mesmo porque as técnicas cirúrgicas existentes não são 100% efetivas, e requerem um tratamento após a cirurgia que é muito semelhante ao que seria feito sem a cirurgia.

Vamos falar um pouco sobre as opções de tratamento para a incontinência urinária, lembrando que muitas vezes elas são feitas em conjunto, e não de forma isolada, como será apresentado aqui para uma compreensão mais direta.

·         Técnicas comportamentais:

As técnicas comportamentais incluem principalmente mudanças e alterações de hábitos simples, e pequenas atitudes em relação à frequência miccional e à forma de urinar.

Um conselho frequente dado aos pacientes é o de adiar ir ao banheiro quando a vontade surge, mesmo na urgência. Inicialmente, tenta-se esperar pelo menos dez minutos, e esse tempo vai sendo aumentado de forma gradativa, até que se chego no intervalo ideal de pelo menos duas horas e meia entre cada micção.

Outro conselho seria o de urinar duas vezes seguidas, no caos de dificuldade de esvaziamento completo da bexiga. Nesse caos, o paciente urina, espera alguns minutos, e tenta urinar novamente, objetivando esvaziar todo o conteúdo da bexiga, para evitar vazamentos posteriores.

Uma opção de alteração comportamental é ir ao banheiro com hora marcada, por exemplo, de duas em duas horas, sem esperar ter a vontade de fazer xixi.

Dentre as alterações comportamentais está a mudança dos hábitos alimentares e o controle da ingestão adequada de líquidos. Além disso, a perda de peso e a prática de exercícios são hábitos de vida que irão contribuir para o tratamento da incontinência.

·         Exercícios do assoalho pélvico:

Os exercícios do assoalho pélvico, também conhecidos como exercícios de Kegel, são exercícios que auxiliam no controle da bexiga, especialmente eficazes com incontinência urinária de esforço.

Esse tipo de exercício é feito com a ajuda de um fisioterapeuta, que irá ajudá-lo a entender os músculos que você precisa contrair, a forma correta de realizar os exercícios, bem como ajudar na progressão dos exercícios para a pessoa continue melhorando até que esteja livre de sintomas.

·         Estimulação elétrica

Outra técnica de tratamento utilizada pelos fisioterapeutas, ela consiste na estimulação elétrica, através de eletrodos inseridos na vagina ou no reto, para o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, da mesma forma como se faz com os demais músculos do corpo.

·         Medicamentos:

Alguns medicamentos são utilizados no tratamento da incontinência urinária, apesar de nenhum deles ser a cura dessa condição. Exemplos de medicamentos utilizados para o controle da incontinência urinária incluem os anticolinérgicos (auxiliam no controle da bexiga hiperativa), os relaxantes musculares específicos para a bexiga (para os casos de incontinência urinária de urgência), bloqueadores alpha (relaxam os músculos do tracto urinário, auxiliando no tratamento da incontinência urinária por transbordamento), estrogênio tópico (para mulheres), entre outros.

·         Dispositivos médicos

Alguns dispositivos podem auxiliar no tratamento da incontinência urinária, como a inserção de um dispositivo que funcione como um tampão, diretamente na uretra, antes da realização de atividades que exijam mais esforço como a prática de algum esporte, e que acabam gerando perda urinária para aqueles com incontinência urinária de esforço.

Outro dispositivo é um anel vaginal usado em casos de prolapso, para ser usado o tempo todo pela paciente.

·         Terapias intervencionistas:

Alguns pacientes podem necessitar de tratamentos um pouco mais invasivos para a resolução da incontinência urinária, dentre eles:

o   Injeção de um material que auxilia no fechamento da uretra. A duração do efeito desse tipo de tratamento é limitada, devendo este ser repetido de tempos em tempos;

o   Injeção de Toxina Butolínica Tipo A (Botox) na bexiga pode auxiliar no relaxamento dos músculos desse órgão nos casos de bexiga hiperativa. Esse tratamento é geralmente indicado apenas nos casos que os remédios convencionais não funcionam mais;

o   Estimuladores nervosos: implantação de dispositivos como marcapassos, que estimula os nervos sacrais, responsáveis pelo controle da bexiga;

·         Cirurgias

A cirurgia é sempre o último recurso a ser tentado pelo médico. O tratamento cirúrgico da incontinência inclui diversas técnicas, dentre elas:

o   Colocação de slings: os slings são dispositivos feitos de materiais sintéticos ou do próprio corpo do indivíduo que servem para manter a uretra fechada, usado no tratamento de incontinência de esforço;

o   Suspensão do pescoço da bexiga: é uma cirurgia para promover um suporte adicional para a bexiga e para a uretra, um procedimento maior, com abertura do abdômen;

o   Cirurgia para a correção de prolapsos: quando os prolapsos são a causa da incontinência, eles podem ser corrigidos cirurgicamente;

o   Reconstrução ou colocação de um esfíncter artificial: quando a incotinência urinária é causada por problemas no esfíncter, ele pode ser substituído por um esfíncter artificial, acionado através de um botão implantado sob a pele do paciente.

·         Absorventes e cateteres

Quando os tratamentos médicos são conseguiram resolver o problema da incontinência urinária, alguns produtos podem ser utilizados para amenizar a consequência desse problema no dia a dia do sujeito.

Um exemplo é o uso de absorventes diários, para que a urina seja absorvida por eles e não suje a roupa ou escorra, causando complicações e situações desconfortáveis. Os absorventes modernos são bem finos e praticamente invisíveis embaixo da roupa.

Outra alternativa está no uso de sondas de alívio no caso de incontinência por transbordamento, para esvaziar completamente a bexiga. O próprio paciente é orientado no uso dessas sondas, bem como no seu adequado manejo, para que possa utilizá-las em qualquer lugar, a qualquer hora.

·         Medidas caseiras

Algumas medidas tomadas em casa podem auxiliar no manejo da incontinência urinária, na redução das complicações e do desconforto causado pelos sintomas.

Algumas dicas dadas aos pacientes com incontinência urinária são:

o   Usar um pano para se limpar e evitar irritações na pele;

o   Evitar lavar constantemente a pele em contato com a urina para não reduzir a defesa do organismo contra infecções;

o   Utilize cremes para proteger a pele da urina, como manteiga de cacau;

o   Limpar o caminho para o banheiro de forma que seja rápido e fácil chegar até ele;

o   Fazer as adaptações necessárias para o uso adequado do vaso sanitário, como a elevação do assento ou instalação de barrar, quando necessário;

o   Entre outras.

·         Tratamento psicológico

O tratamento psicológico também é de fundamental importância para a resolução da incontinência, para a orientação do paciente em relação ao seu tratamento, e para a superação de barreiras e fatores psicológicos que podem estar envolvidos coma condição.

É importante para o paciente saber que a incontinência urinária tem tratamento, e que não se deve ter vergonha de falar sobre isso, uma vez que as possibilidades de retornar a uma vida pela e livre de sintomas são muito grandes.

A incontinência urinária e a Fisioterapia

Um dos ramos mais novos da fisioterapia envolve o tratamento da incontinência urinária através de orientações e exercícios físicos que auxiliam no controle da musculatura do assoalho pélvico e da bexiga, reduzindo os sintomas da incontinência e aumentando a funcionalidade e a qualidade de vida do indivíduo.

Os objetivos do tratamento fisioterápico da incontinência urinária são:

·             Informação / orientação / consciência;

·             Correção postural (reeducação);

·             Facilitação proprioceptiva (conscientização);

·             Treino da ‘musculatura do assoalho pélvico’ (MAP);

·             Controle dos esfíncteres (fechamento uretral);

·             Controle voluntário da urina (e/ou fecal e/ou prolapsos);

·             Terapia Comportamental (modificação de comportamento);

·             Melhora da sexualidade (disfunções sexuais);

·             Melhora da qualidade de vida.

Dentre as vantagens da Fisioterapia estão que esta não é um método invasivo, é eficaz, possui baixo risco e baixo custo, não tem efeitos colaterais, é tratamento de escolha para a incontinência urinária, e pode ser associado a outros tipos de tratamento.

Além disso, é um tratamento utilizado tanto para a prevenção da incontinência, bem como para o seu manejo pré e pós-operatório.

os exercícios fisioterápicos para o tratamento da incontinência urinária incluem a reeducação postural e equilíbrio biomecânico do quadril (individual ou grupo), exercícios terapêuticos para a MAP (individual ou grupo), terapias manuais, ginástica hipopressiva (individual ou grupo), terapia comportamental (reeducação vesical), uso de cones vaginais, perineômetros, biofeedback, estimulação elétrica, entre outros.

Os exercícios especificamente para a MAP são o tipo de tratamento mais popular e com eficácia comprovado, portanto, são muito recomendados para esse tipo de paciente, especialmente para aqueles que sofrem de incontinência urinária de esforço.

Os objetivos dos exercícios para a MAP são o suporte aos órgãos pélvicos, a melhora do suporte do colo vesical, a melhora do mecanismo de continência, ajuda na ação do esfíncter da uretra e da vagina, a prevenção de súbitos aumentos de pressão intra-abdominal (evitando perdas), a melhora das disfunções sexuais (desejo, orgasmo, dispareunia, vaginismo,…), entre outros.

O exercícios são sempre realizados em conjunto com técnicas de respiração que otimizam a sua eficácia, e devem ser realizados por profissional capacitado, com capacidade de ensinar, corrigir e progredir os exercícios, para que a terapia surta o efeito desejado.

 

Aposto que você não sabia esse monte de informações sobre a incontinência urinária, não é mesmo? Deu pra entender que se você sofre desse mal, ou conhece alguém próximo que precisa de ajuda, a solução está mais próxima do que você imagina. Se ficou com alguma dúvida sobre a incontinência urinária, comenta abaixo que nós ajudaremos!