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Dor lombar? O que fazer para aliviar a dor?

A coluna lombar, como é chamada a parte de baixo das costas, é uma estrutura corporal muito bem construída, formada por ossos, articulações, músculos, nervos e ligamentos trabalhando juntos para promover suporte, força e flexibilidade. No entanto, por ser tão complexa e importante para o corpo, a coluna lombar é muito susceptível a dores e lesões.

O que é então a dor lombar?

Uma lesão em qualquer uma das estruturas da coluna lombar pode levar à dor lombar. Para ajudar na compreensão desse assunto que não é fácil, apresentaremos nesse artigo primeiro alguns sintomas, e formas de diagnóstico da doença, para depois apresentarmos as melhores formas de tratar a dor lombar.

Primeiro porque é necessário saber identificar a doença através dos sinais e sintomas apresentados, depois confirmar o diagnóstico com exames e avaliação de especialistas, para só então definir qual é o melhor tratamento para cada caso.

Vamos lá, começando do princípio.

Causas da dor lombar

A causa mais comum da dor lombar é o que chamados de causa mecânica. Isso acontece quando existe alguma lesão nessas estruturas que dão suporte à coluna, mencionadas ali em cima, como os discos intervertebrais, raízes nervosas, e movimentos inadequados das articulações.

Lesões musculares são a causa mais comum de dor nessa categoria, e podem levar, se não tratadas a tempo, à alterações em outras estruturas como conseqüência da manutenção de posturas inadequadas devido à essa lesão e à dor causada por ela.

As lesões musculares podem acontecer de repente, ou podem ir se desenvolvendo ao longo do tempo, e geralmente são devido à carregamento de peso em excesso, movimentos repentinos que colocam muita carga na coluna, má postura ao longo do tempo, lesões esportivas em esportes que envolvem movimentos amplos da coluna ou que geram impacto, entre outras.

Algumas outras causas de dor lombar menos comuns incluem infecções, tumores, doenças autoimunes, e outras síndromes que podem afetar a coluna. Embora menos frequentes que as causam mecânicas, é importante sempre excluir esses tipos de diagnósticos, que geralmente possuem tratamento mais difícil, e são mais graves do que os diagnóstico mecânicos.

Sintomas da dor lombar

A dor lombar pode ser aguda, devido a uma lesão que acontece de forma súbita, e pode ser tornar crônica. O tratamento adequado da dor lombar nas suas fases iniciais pode limitar os sintomas tanto em relação ao seu tempo de duração, quanto à sua gravidade e intensidade. Identificar os sintomas e ter um diagnóstico adequado irá ajudar a identificar qual tipo de dor, que está relacionado com a sua causa, e direcionará para o tratamento adequado.

A dor aguda é aquela dor que aparece de forma súbita e dura apenas alguns dias, e o corpo consegue se recuperar sozinho, como resposta normal a uma lesão.

A dor crônica, no entanto, é aquele que dura meses, é mais intensa, e não responde à medicações analgésicas normais, como resultado de falha no processo de recuperação normal do corpo à uma lesão, ou devido à presença de uma doença ou condição de base que não foi tratada.

Os sintomas mais comuns da dor lombar incluem:

  • Dor entorpecente: a dor lombar é geralmente descrita pelos pacientes como aquela dor “chatinha”, sem característica de queimação, agulhamento ou pontada. Esse tipo de dor pode ser acompanhada por espasmos musculares, limitação de movimento, e dor no quadril, na virilha, ou mesmo nas pernas.
  • Dor que se irradia para as nádegas, pernas e pés: a dor lombar é comumente irradiada para as pernas, pois a tensão muscular pode comprimir o nervo ciático, e gerar sensação de desconforto, dormência, formigamento ou dor no caminho desse nervo.
  • Dor que piora após muito tempo sentado: ficar sentado muito tempo aumenta a pressão na coluna lombar, que faz com que a dor apareça, ou piore, nessa postura. Usualmente, se levantar e caminhar um pouco ajuda a aliviar a dor.
  • Dor que melhora ao mudar de posição: a dor na lombar geralmente acontece quando assumimos uma mesma posição por muito tempo. Quando mudamos de posição, mudamos o ponto de pressão na coluna, dessa forma, reduzindo a dor. As posição que melhoram a dor, e as posições que pioram a dor, ajudam na identificação da causa da dor lombar.
  • Dor que é pior após acordar e melhora ao longo do dia: longos períodos de imobilidade, como acontece quando a gente dorme, gera uma cerca rigidez muscular na coluna lombar, que faz com que as pessoas que sofrem dessa condição relatem dor logo pela manhã. O movimento, no entanto, tende a diminuir essa dor.

Os sintomas da dor lombar podem variar muito de caso a caso, dependendo da interpretação individual da dor, saúde mental e emocional do indivíduo, nível de atividade física, estresse, entre outros.

Alguns sintomas da dor lombar, no entanto, merecem atenção imediata, pois podem indicar que uma doença mais séria está por trás da dor. Fique atento caso alguns desses sintomas acompanhem a sua dor lombar:

  • Perda de controle da urina ou das fezes;
  • Perda de peso recente e intensa sem mudança em hábitos de vida;
  • Febres e calafrios;
  • Dor abdominal severa;
  • Dor após um trauma importante como acidente de carro.

Diagnóstico da dor lombar

Como comentamos anteriormente, e isso não é verdade apenas para a dor lombar, mas para muitas outras condições dolorosas, obter um diagnóstico preciso que identifica a causa base da dor, e não apenas se correlaciona com os sintomas, é fundamental para a definição do tratamento correto e de fato eficaz para o alívio da dor.

A coluna lombar é complexa, formada por diferentes estruturas que juntas determinam a função desse segmento. Logo, lesão em qualquer uma dessas estruturas pode causar dor, fazendo com que a identificação da origem do problema seja, no mínimo, complicada.

A primeira parte de um diagnóstico adequada consiste na coleta de informações através do registro do paciente. Dessa forma, um histórico acurado dos sintomas, história médica, e condições relacionadas ao aparecimento ou alivia da dor são informações fundamentais para a formulação de uma hipótese primária da fonte da dor do paciente.

Outras informações importante a serem colhidas envolvem o nível de atividade do paciente, seus hábitos de vida, principalmente de sono, bem como o tipo de colchão utilizado, tipo de trabalho, posturas normalmente assumidas durante o dia e durante a noite, lesões (recentes ou não) na coluna, e em outras partes do corpo, que possa, influenciar a coluna, e qualquer outra informação que o médico/fisioterapeuta julgar importante no contexto.

O próximo passo do diagnóstico é o exame físico, cujo objetivo é estreitar ainda mais as possibilidades, e chegar ainda mais perto de um diagnóstico mais preciso. Um exame físico típico da coluna lombar inclui uma combinação dos seguintes passos:

  1. Palpação: consiste no toque, onde o especialista irá tocar a coluna lombar, procurando por espasmos musculares, pontos de tensão, áreas mais sensíveis, ou anormalidades nas articulações;
  2. Exame neurológico: o diagnóstico geralmente inclui um exame motor, o qual envolve movimentos do quadril, joelho, pés, além dos movimentos da coluna em si. Além disso, um exame de sensibilidade faz parte do exame neurológico, sendo avaliado nível de sensibilidade do tronco do paciente para baixo. Esse exame tem por objetivo descobrir se algum nervo dói acometido pela condição de base que está causando a dor;
  3. Teste da amplitude de movimento: esse exame consiste na avaliação da movimentação ativa do paciente, de forma a descobrir de algum movimento específico causa dor, ou qualquer outra sensação desagradável, e ainda se o paciente possui alguma limitação importante de movimento;
  4. Teste de reflexos: esse teste também serve para avaliar o acometimento de algum nervo, bem como a força muscular;
  5. Teste de elevação das pernas: o paciente é pedido para deitar de costas e elevar as pernas retas o mais alto que conseguir. Caso esse teste reproduza dor na coluna, existe a suspeita de uma hérnia de disco lombar;

Normalmente, o diagnóstico da dor nas costas consegue ser feito com a combinação da anamnese, que é a entrevista feito com o paciente, onde colhe-se informações sobre a doença, e do exame físico.

No entanto, algumas vezes as informações podem ser confusas, ou não conclusivas. Nesses casos, uma investigação mais profunda é necessária, e exames de imagens específicos podem ser requisitados, principalmente para a localização exata da estrutura que está causando a dor, possibilitando assim a programação de um tratamento mais específico e eficiente.

Alguns dos exames de imagem que podem ser solicitados para a avaliação e diagnóstico da causa da dor lombar são: Raio-X, Tomografia Computadorizada, ou Ressonância Magnética.

Lembrando que na grande maioria das vezes não existe apenas uma estrutura acometida, ou apenas uma causa para a dor lombar. Dizemos, então, que ela é multifatorial, ou seja, ocorre devido à uma combinação de fatores que, juntos, levam à dor nas costas.

Tratamento para a dor lombar

Finalmente, chegamos ao que interessa. Precisamos de todas essas informações introdutórias, pois é difícil se entender o tratamento para a dor lombar sem entender de onde vem essa dor, e quais são as suas características.

Com essas informações em mãos, fica fácil entender o porquê de não existir uma receita de bolo para o tratamento da dor lombar, pois cada paciente é único, e possui características e necessidades distintas, necessitando de uma avaliação minuciosa para a definição de um tratamento personalizado.

Dependendo do paciente e da causa da dor, alguns tratamentos serão melhores que outros. De forma geral, uma combinação de diferentes técnicas de tratamento é mais eficaz na redução e eliminação da dor lombar, em comparação com a escolha de um tratamento de forma isolada, devido à natureza multifatorial da dor lombar.

Autocuidado como tratamento da dor lombar

Quando a dor nas costas é recente, com uma intensidade mais leve, e apareceu faz pouco tempo, o que chamamos de dor aguda, o tratamento pode ser realizado em casa, pelo próprio paciente. Ele envolve algumas ações terapêuticas, bem como ações preventivas, de modo a se evitar a progressão da dor e sua recidiva.

Terapias  aplicados em casa podem ser eficazes para o tratamento da dor lombar aguda e leve oriunda de estiramentos musculares, bem como para reduzir a intensidade e promover alívio da dor crônica. Dentre essas terapias, estão:

  • Período de descanso: muitas vezes episódios de dor nas costas podem ser tratados com repouso, evitando atividades de maior intensidade por um tempo. No entanto, esse repouso não pode durar por muito tempo, pois apenas alguns dias de inatividade podem tornar o processo de recuperação mais difícil;
  • Modificação da atividade: muitas vezes, mais importante do que fazer repouso, é manter o nível de atividade, porém evitando-se certos movimentos e posturas que causam dor. Por exemplo, se a sua dor aparece após pegar peso, evite pegar peso;
  • Aplicação de calor/frio: o calor de uma bolsa de água quente, ou mesmo de um banho quente, pode relaxar os músculos que estão em tensão, e melhorar a circulação na área lesionada. Se a dor lombar é recente, ou devido à inflamação (percebida através de sinais como calor local, vermelhidão, e inchaço), o frio pode ser a melhor opção de alívio, apenas aplicar gelo local, protegendo a pele com uma toalha.
  • Analgésicos simples: alguns remédios comprados sem receita, que temos em casa mesmo, podem ajudar nesses casos de dor lombar, como o Ibuprofeno, a aspirina, e o Dorflex. Essas medicações não precisam de prescrição médica, mas devem ser utilizadas com cuidado, sempre seguindo as orientações da bula. Caso você não tenha certeza de qual medicação tomar, ou estas não estiverem fazendo nenhum efeito, procure um médico.

Fisioterapia como tratamento para dor lombar

A fisioterapia é uma das partes mais importantes para o tratamento da dor lombar, pois é através da realização de exercícios terapêuticos que a causa da dor pode ser eliminada de vez, caos esta seja mecânica. Os tipos de exercícios usualmente prescritos envolvem:

  • Alongamentos: quase todos ao pacientes encontram benefícios com o alongamento dos músculos das costas, glúteos, quadril e pernas. Qual alongamento será mais beneficial para cada caso depende da avaliação do fisioterapeuta, e do padrão individual de dor de cada paciente;
  • Exercícios de fortalecimento: fortalecimento de músculos enfraquecidos é uma forma de tratar a dor lombar, pois ele melhora a estabilidade da coluna, corrige padrões posturais indesejados, e ajudam no alívio da dor;
  • Atividades aeróbicas de baixo impacto: os exercícios aeróbicos aumentam o fluxo sanguíneo para a região lesionada e auxiliam no processo de cicatrização, sem aumentar a sobrecarga na coluna. Exemplos de exercícios de baixo impacto incluem bicicleta ergométrica, elíptico, caminhada leve, ou hidroterapia. Pacientes que mantém um regime de exercícios aeróbicos constante relatam menos episódios de dor nas costas, um maior nível de atividades, e mais tempo livre de dor.
  • Técnicas específicas de correção postural: algumas técnicas, como o RPG, ajudam no melhor alinhamento da coluna, e são especialmente eficientes quando o problema tem origem postural. Ouras técnicas, como o Pilates, envolvem tanto alongamentos, quando exercícios posturais e de fortalecimento, oferecendo um programa de exercícios completo efetivo para o tratamento de diversas condições que podem gerar a dor lombar.

Atuação médica no tratamento da dor lombar

O foco do tratamento médico na dor lombar é reduzir a dor e os sintomas associados, mas ela não cura a origem da dor, quando mecânica, que constitui a maioria dos casos. Esse tipo de tratamento é sempre associado ao tratamento fisioterapêutico.

Tratamentos comuns incluem a prescrição de relaxantes musculares, medicamento analgésico mais forte em casos de dor refratária ou crônica, prescrição de dispositivos de estabilização da coluna como coletes, injeções de esteróides na coluna, entre outros.

A cirurgia é um tratamento possível para a dor lombar, dependendo da causa da dor, e pode ser recomendada para alguns pacientes. Lembrando que a cirurgia só será indicada como último recurso, em caso de dores muito fortes que não respondem a nenhum outro tipo de tratamento conservador (não cirúrgico).

Alguns fatores devem ser considerados antes da realização da cirurgia, como a habilidade de o indivíduo realizar suas atividades diárias, se ele possui condições de seguir as orientações e realizar as mudanças necessárias no estilo de vida após a cirurgia, estado de saúde mental do paciente, e o tipo de cirurgia a ser realizado.

Lembrando que a fisioterapia será fundamental para o processo de recuperação após a cirurgia, portanto, não tem como escapar do exercício quando falamos de dor na lombar, não.

Terapias alternativas para o tratamento da dor lombar

O termo “terapias alternativas” não deve ser considerado como referente a algo que não funciona, ou inferior, ou usado como ultimo recurso no tratamento da dor lombar, mas sim como um conjunto de terapias que não são usuais no mundo ocidental, de acordo com a medicina que estamos habituados.

Essas terapias são eficazes no combate a dor, e se utilizadas de forma correta por profissionais qualificados, podem gerar muitos benefícios para os pacientes. Como todo tipo de tratamento, elas não são receita de bolo, e não funcionam de forma igual para todo mundo. Por isso, novamente reforçamos a importância de uma avaliação criteriosa para cada caso.

Alguns tipos de terapias alternativas utilizadas no tratamento da dor lombar são listados abaixo:

  • Terapia manual: geralmente aplicada por um quiroprata, um fisioterapeuta, ou um terapeuta manual, a manipulação manual é aplicada de forma a melhorar a mobilidade, corrigir alinhamentos incorretos, a reduzir a rigidez, o desconforto e a dor. A aplicação de terapias manuais envolve massagens e manipulações, e dever ser sempre realizada por profissionais gabaritados;
  • Acupuntura: baseada na medicina tradicional chinesa, a acupuntura estimula certos pontos no corpo de acordo com um mapeamento feito da força vital do corpo humano. O alinhamento correto dessas forças reduz dores e desconfortos. Durante uma sessão de acupuntura, agulhas são inseridas nesses pontos por cerca de uma hora, e algumas pessoas relatam alívio imediato da dor com a aplicação da técnica;
  • Meditação, ou “mindfullness”: a meditação pode ajudar na redução da percepção da dor, reduzir a depressão, a ansiedade, a tensão, o estresse emocional, e os distúrbios do sono associados à dor lombar. Além disso, alguém técnicas de meditação auxiliam inclusive no controle postural, envolvendo exercícios respiratórios e certos movimentos corporais que ajudam para um melhor alinhamento da coluna, reduzindo a dor.

Existem muitas outras opções para o tratamento da dor lombar. Para a escolha do tratamento correto, reforçamos mais uma vez que não existe receita de bolo ou fórmula mágica. O mais importante é o envolvimento de profissionais competentes nesse processo, que o guiarão por um diagnóstico preciso e pela elaboração de um plano de tratamento que funciona para você.