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Artrose na coluna: causas, sintomas e tratamentos

A palavra artrose vem do grego “arthros”, que significa articulação. A palavra artrose é usada em duas formas diferentes na nossa língua, e as duas significam coisas bem distintas.

A primeira diz respeito à referência anatômica mesmo, simplesmente para designar uma articulação, por exemplo, dizer “a artrose do joelho” seria o mesmo que dizer “a articulação do joelho”, no caso, o joelho é uma artrose, ou seja, o joelho é uma articulação.

A segunda, e a mais utilizada e mais conhecida, se refere ao uso da palavra para designar uma doença nas articulações. Diz-se, então, que alguém tem artrose, quando um processo degenerativo foi instalado em uma determinada articulação. Com certeza você já ouviu alguém dizer que tem, ou que conhece alguém, que tem artrose, correto?

Mas afinal, o que é artrose?

Para entender mesmo o que é a artrose, no sentido de doença, precisamos primeiro entender os que é uma articulação propriamente dita. Embora as articulação sejam frequentemente descritas como o encontro de dois ossos, o que não é verdade.

As articulações são na verdade estruturas complexas, envolvendo ligamentos, cápsulas, tecido conjuntivo, e todo um maquinário para fazer com que o corpo se movimente com destreza e suavidade. Entre os ossos existe ainda uma cobertura de cartilagem e líquidos, e/ou alguma estrutura amortecedora, como no caso dos discos intervertebrais da coluna, que impede o contato direto entre eles.

Isso porque o contato de osso direto com osso, é, na verdade, indesejado, e não foi feito para acontecer em condições fisiológicas ou seja, normais. A fricção nas articulações é muito grande, e o osso sozinho não aguenta, por isso a necessidade de estruturas entre eles. Caso haja contato direto entre os ossos, ai sim, temos um problema, e é ai que começa o desenvolvimento da artrose.

Quando falamos de doenças que acometem as articulações, a artrose é geralmente a primeira que nos vem a mente. A artrose é, portanto, uma doença primária das articulações, que ocorre em decorrência do desgaste da cartilagem que recobre os ossos. Esse desgaste ocorre ao longo de muito anos de uso incorreto ou excessivo de uma articulação, portanto, a artrose é mais comum em pessoas mais velhas ou em atletas, que usam o corpo de formas mais extremas.

Porém, dependendo do estilo de vida ou do trabalho de um indivíduo, por exemplo, a artrose pode aparecer mais cedo, ou em circunstâncias diferente.

Esse desgaste da cartilagem leva à um processo inflamatório da articulação, associado à rigidez de movimento, e outros problemas na articulação, resultando em uma condição muito dolorosa e debilitante.

Qual é a diferença entre artrose e artrite?

Muitas pessoas utilizam os dois termos como se fossem a mesma coisa, mas na verdade, não são. A artrose, como explicamos, ocorre devido a um desgaste crônico da cartilagem das articulações, e que gera diversas consequências, dentre elas a artrite. A artrite é simplesmente a inflação de uma articulação, que pode ocorrer de forma aguda, ou seja, imediata, devido a um impacto na articulação, por exemplo, ou de forma crônica, ao longo de tempo, como a inflamação gerada pela fricção osso com osso que ocorre na artrose.

Discutiremos a seguir os sintomas da artrose, os tipos de artrose, focando mais na coluna vertebral, e os métodos diagnósticos e de tratamento mais utilizados para essas condições.

Sintomas da artrose

Os sintomas da artrose se desenvolvem de forma lenta ao longo do tempo, e não surgem de uma vez só. Nos primeiros estágios de degeneração da cartilagem da articulação, que é o fator desencadeante da doença, podem inclusive não existir sintomas, e a doença começa a se desenvolver de forma silenciosa.

Ou seja, pelo fato de a artrose ser uma doença primariamente degenerativa, e não inflamatória, ela pode passar despercebida por muitos anos.

Os sintomas mais comuns da artrose, que são comuns para todas as articulações que a doença acomete, inclusive as da coluna, são:

  • Dor: a dor é tipicamente restrita à articulação afetada. Ela geralmente é pior ao movimento, ou após o movimento, e alivia consideravelmente com o repouso. Nos casos mais brandos,  dor pode estar ausenta até que a pessoa se mova. Em alguns casos, apenas uma pressão feita na pela acima da articulação já causa dor. geralmente, essa dor e sensibilidade não é acompanhada de inchaço, o chamado edema, como no caso das doenças inflamatórias, como a artrite.
  • Rigidez ao movimentar a articulação: a rigidez articular é outro sintomas muito comum da artrose. Aparece principalmente pela manhã, ou após longos períodos de inatividade, quando a articulação não é muito movimentada. A movimentação da articulação alivia essa rigidez, mas o excesso de movimento pode gerar dor. Essa rigidez tende a ficar pior com o tempo, à medida em que a doença progride. Mesmo quando a rigidez é aliviada pelo movimento, a movimentação articular pode ficar reduzida com o tempo, o que, em longo prazo, reduz a mobilidade da pessoa, e a funcionalidade.
  • Sons ao movimentar a articulação: um som de estalo pode ser ouvido com o movimento da articulação, principalmente quando a condição é mais avançada. E som aparece quando a cartilagem está bem mais desgastada, e o barulho que se ouve é de um osso raspando no outro, pois não existe mais lubrificação entre eles para fazer com que o movimento seja suave.
  • Dureza da articulação: diferentemente da rigidez, essa dureza aparece ao toque, devido à formação de osteófitos, que são pedaços de ossos que crescem devido ao movimento de um osso contra o outro. E osso cresce, e a articulação se torna mais rígida. Esse sintoma pode também alterar a mobilidade.

Diagnóstico da artrose

A artrose é diagnosticada primeiramente através do exame físico do paciente feito por um médico. Como regra geral, se os sinais e sintomas da artrose estão presentes de forma a não gerar dúvida, o único exame necessário para confirmar o diagnóstico é o raio-X. Em casos de dúvidas, outros exames podem ser realizados, dentre eles:

  • Ressonância Magnética (RM);
  • Tomografia Computadorizada (TC);
  • Exames laboratoriais, como exames de sangue, para excluir diagnósticos diferenciais que podem causar sintomas semelhantes e confundir o diagnóstico, como doenças reumatológicas ou vasculares.

Tratamento da artrose

O tratamento da artrose é bem semelhante, independente da articulação do corpo acometida. Iremos comentar aqui um pouco do tratamento da artrose de forma geral, e as especificidades em relação à artrose da coluna, que é o escopo desse texto.

O tratamento da artrose vertebral é realizado por profissionais especializados, pois exige alguns cuidados especiais, por ser uma região delicada do corpo que protege a medula espinhal, por onde passam os nervos que controlam os movimentos e as sensações de todo o corpo.

O tratamento pode ser dividido nos seguintes componentes: terapia medicamentosa, fisioterapia, correção ortopédica, exercícios de manutenção, e uma dieta adequada.

Cada paciente vai necessitar de um tipo de cuidado específico, por isso uma avaliação realizada por uma equipe multiprofissional é fundamental para a definição da condição geral do paciente, da gravidade da doença, e das necessidades daquele indivíduo.

Em alguns casos, uma intervenção cirúrgica se faz necessária. Geralmente, a cirurgia é feita quando existe um processo grave de degeneração e deformidade articular, afetando os nervos. Existem casos documentados de paralisia causada pela associação da artrose cervical com outras doenças. Nessa caso, a cirurgia é obrigatória. Lembrando que, mesmo após a cirurgia, as outras medidas terapêuticas, como a fisioterapia e uma dieta adequada, são fundamentais para que a cirurgia surta o efeito desejado, e para que a condição não retorne e volte a gerar sintomas.

Vamos agora detalhar um pouco mais sobre cada parte do tratamento da artrose:

  • Terapia medicamentosa: é importantíssimo que o paciente entenda que não pode sair comprando qualquer remédio, ou usando qualquer anestésico, nem antes passar por uma avaliação e diagnóstico médicos. Isso porque, especialmente no caso da artrose, o médico irá prescrever medicamentos específicos para a condição, e que geram o mínimo possível de efeitos colaterais. Além disso, medicamentos condroprotetores, ou protetores da articulação, podem ser prescritos como forma de retardar a progressão da doença.
  • Fisioterapia: a fisioterapia é empregada em várias frentes, e é fundamental para o tratamento da doença, para impedir a sua progressão, e para reduzir ou eliminar os sintomas. Dentre as técnicas utilizadas, estão técnicas clássicas de correção postural, como o RPG, técnicas de fortalecimento muscular, alongamento, técnicas combinadas como o Pilates, entre outros. Está indicado ainda o uso de recursos físicos como o ultrassom, e diferentes tipos de eletroterapia, como recursos analgésicos e que auxiliam no tratamento e na recuperação do paciente em momentos de “crise”, quando os sintomas estão mais evidentes.

Mais importante ainda do que o tratamento em si, é a fase de manutenção, ou ainda, a prevenção do aparecimento dos sintomas da doença. Para a redução da chance do aparecimento dos sintomas, algumas medidas podem ser tomadas, como um programa regular de exercícios, uma dieta balanceada, manutenção do peso corporal dentro dos limites de normalidade, e manutenção de atividade e posturas adequadas ao longo do dia.

 

Tipos de artrose na coluna

Até então, conversamos um pouco sobre as características comuns a todos os tipos de artrose. Agora, vamos entrar mais especificamente nas artroses que acometem a coluna vertebral, que são o objetivo e o foco desse artigo.

As articulações entre as vértebras são bem pequenas, e chamadas de facetas articulares. Elas são responsáveis por conectar as vértebras na parte de trás da coluna, e permitir o movimento das costas. Elas conectam cada vértebra com a as vértebras de cima e de baixo, formando uma corrente de ossos interconectados.

Como em todas as articulações do corpo, a artrose também pode ocorrer nas articulações da coluna.

A artrose das facetas articulares é frequentemente causada por uma redução da altura do disco intervertebral, como resultado da idade avançada ou do excesso de uso, que leva à degeneração do disco.

Essa mudança na geometria da coluna leva ao aparecimento de forças de cisalhamento nas facetas articulares, causando o desgaste das articulações. O excesso de peso corporal agrava essa situação. A dor gerada por esse tipo de artrose ocorre pela manhã, uma vez que as articulações são aliviadas do peso corporal, e de repente precisam sustentar novamente o peso corporal.

Outras causas para a artrose na colune podem ser congênitas, ou seja, envolvem mal formações da coluna vertebral presentes no indivíduo desde o seu nascimento.

Os sintomas mais comuns da artrose da coluna envolvem dor de cabeça, dor no pescoço, dor nas costas, e redução da movimentação da coluna. Eles podem ainda, em casos mais severos, envolver pinçamentos nervosos ou vasculares. O tratamento envolve as terapias mencionadas acima.

A dor na coluna é mais comum na coluna lombar, pois a artrose desse seguimento é mais frequente devido à carga imposta à ele durante as atividades normais. Essa dor na lombar pode se irradiar para as pernas. Apesar de ser mais comum na lombar, a artrose pode acontecer em qualquer das regiões da coluna.

A precisão para o diagnóstico do local da artrose na coluna vem primeiramente através de um exame físico preciso e minucioso. Além disso, como já menciona, o raio-X, a RM e a TC auxiliam na informação da localização da artrose, bem como da extensão do acometimento, além de ajudarem a identificar problemas nas estruturas próximas às vértebras que podem estar interferindo no o quadro.

A seguir, falaremos um pouco sobre a artrose em cada segmento da coluna, com suas devidas particularidades.

 

Artrose cervical

A artrose cervical é aquela que acomete as vértebras da coluna cervical, que é a parte mais superior da coluna, próxima ao pescoço.

As causas desse tipo de artrose podem ser o desgaste natural promovido pelo tempo quando envelhecemos, ou o desgaste precoce das facetas articulares por postura inadequada, como por exemplo quem passa horas por dia em frente ao computador.

Os sintomas da artrose cervical envolvem dor no pescoço, especialmente na linha dos ombros e na raiz do pescoço, juntamente com rigidez ao movimentar o pescoço. A dor pode se estender aos ombros e até mesmo aos braços, na medida em que os nervos começam a ser acometidos. É importante diferenciar a artrose de dores musculares ou da hérnia de disco – isso em todos os seguimentos da coluna – pois o tratamento varia bastante de condição para condição.

O tratamento específico para a artrose do pescoço é, quando em fase aguda, manter o pescoço em repouso, utilizando um colar cervical. Lembrando que essa não é uma solução a longo prazo, pois ela reduz a carga na coluna cervical, porém limita a mobilidade e pode desencadear outros problemas. A fisioterapia ajuda na redução dos sintomas, tratamento o alinhamento postural, bem como qualquer espasmo muscular associado à dor e à redução de mobilidade da coluna cervical. O uso de medicações pode ser útil no alívio da dor.

Artrose lombar

A artrose lombar é a degeneração das articulações entre as vértebras lombares, causada principalmente pela manutenção de uma postura inadequada por longos períodos de tempo e de forma crônica. Além disso, alguns esportes que geram sobrecarga na coluna podem predispor o aparecimento de sintomas.

Os sintomas da artrose lombar incluem a dor nas costas clássica, que é sentida principalmente ao movimento. O tratamento é feito de forma bem similar ao tratamento da artrose cervical, com imobilização segmentar inicial, seguida de uma reeducação postural aliada a atividade física.